VERDADES DE “LA PALISSE”. 20/02/2018 12:49 Bibó Porto Carago


    Parece uma verdade de “La Palisse” dizer que todos os jogos até ao final do campeonato serão autenticas finais, cada lance de golo falhado, cada frango sofrido, cada passe mal feito ou cada ponto perdido pode ser a “morte do artista”.

    Do meu ponto de vista, a próxima semana não ditará obviamente qualquer decisão definitiva em relação ao futuro campeão mas ajudará muito a perceber quais as linhas em que se vai desenrolar o que resta do campeonato.

    O FC Porto depende única e exclusivamente de si para na semana que se segue ganhar uma vantagem interessante (mas longe de ser definitiva claro!) na liderança. Caso contrário, o campeonato continuará com 3 equipas separadas por uma margem reduzidíssima, em que qualquer erro poderá significar a perca de uma liderança que o FC Porto tem segurado praticamente desde a 1ª jornada. Aquilo que o ciclo Amoreira/Portimão vai ditar fundamentalmente é se a margem de erro do FC Porto se vai reduzir a zero (caso não vença os dois jogos) ou se vai alargar para uma margem confortável (caso vença os dois jogos). E isto pode fazer toda a diferença nas contas finais do campeonato.

    Fica bem evidente, portanto, a importância destes 2 jogos, antes da receção ao Sporting. Soa a verdade de "La Palisse" mas joga-se por isso muito do futuro do FC Porto nas próximas semanas.

    Sobre o “furacão Liverpool” que assolou o Dragão na passada 4ª feira, gostaria também de dizer algumas verdades de “La Palisse” sobre o que me pareceu o jogo e sobre vários disparates que vi escritos sobre o que se passou no jogo:
    1. Perder 5/0 é, em qualquer das circunstancias, um resultado demolidor para um clube recordista de participações na Champions League, a par do Manchester United e Real Madrid, como é o FC Porto. Nada disfarça, nem reduz a enorme dor em relação àquele resultado de 4ª feira, o pior da história do FC Porto nas competições europeias em jogos caseiros;

    2. Não é verdade, como pateticamente vi escrito e dito em alguns lados, que o FC Porto tenha tido uma atitude de medo em relação ao Liverpool. Analisando seriamente o jogo, e retirando a carga emocional do mesmo, os primeiros 25 minutos foram equilibrados, sendo que a única equipa capaz de criar uma ocasião de golo foi mesmo o FC Porto através de um remate de Otávio transviado num defesa inglês. Depois surgiu o primeiro golo após dois erros graves de Sá, logo a surgir surgiu o segundo e o FC Porto caiu a pique. Quase a terminar a 1ª parte, Soares ainda podia ter dado alguma esperança com um remate a pouca distancia da baliza e… a partir daí assistimos a uma exibição confrangedora e a uma enxurrada de erros e disparates, atrás de disparates, o que num jogo frente a um Liverpool pode sempre dar no que deu;

    3. Resta reparar a imagem no jogo da 2ª mao em Anfield, mesmo tendo em conta que no mesmo se terão de poupar vários jogadores a pensar obviamente naquilo que até final da época terá de ter prioridade maxima: o campeonato!
    Resta desejar que tudo corra bem e que o bom trabalho realizado até aqui continue a dar os seus frutos até final da época. A verdade é que dá claramente a sensação que teremos de ser perfeitos para levar de vencida este campeonato. Se queremos ser campeões não poderemos perder a liderança até final do campeonato, porque uma vez perdida, e sabemos bem para quem, jamais a recuperamos. Por isso há que mantê-la com unhas e dentes!! FORÇA FC PORTO!

    Mais umas notas sobre o jogo de ontem e os homitos 19/02/2018 21:02 Dragão até à Morte


    O F.C.Porto deu ontem um sinal que não desarma, não fica a chorar sobre o leite derramado, mesmo quando as derrotas deixam marcas, é capaz de reagir. Essa atitude e esse carácter, como bem lembrou Sérgio Conceição, não aconteceu apenas ontem, já tinha acontecido antes, particularmente após o jogo e o desaire caseiro com o Besiktas. Lembro-me bem de após essa derrota ter aqui transmitido os meus receios que nem os serviços mínimos, chegar aos oitavos-de-final, conseguíssemos e conseguimos, num grupo que não era fácil. Ora, porque nenhuma equipa que seja frágil psicologicamente ganha campeonatos, esta capacidade que o Porto 2017/2018 tem tido para reagir, mesmo nas piores circunstâncias, dão-me confiança que podemos chegar a Maio no lugar mais alto do pódio e recuperar o título que nos foge há quatro épocas.
    Também porque é verdade, é bom e justo referi-lo, para essas reacções positivas da equipa muito tem contribuído a ajuda e apoio que nunca tem faltado por parte dos adeptos, claques em particular. É para isso que as claques nasceram, é essa a sua principal função.

    Como tinha referido na antevisão, ontem só queria os três pontos, dispensava recitais, notas artísticas, shows de bola, nesta altura não nos podemos dar a esses luxos. A exibição não sendo brilhante - temos de definir melhor o último passe, a assistência para golo, mais assertivos a passar, não ter faltas de concentração e precipitações que às vezes têm consequências graves -, esteve à altura das necessidades e a vitória justa, indiscutível, foi conseguida com tranquilidade. Para mim, posso acrescentar, exibição e resultado até superaram as expectativas.

    Sobre o assunto do momento:
    Já dizia o meu avô: há homens, homitos, macacos e macaquitos. Lembrei-me desta frase quando leio e ouço o que dizem agora de Bruno de Carvalho algumas virgens ofendidas e o que não diziam quando o presidente do Sporting se atirava ao F.C.Porto e até piadas de péssimo gosto fazia com a idade de Jorge Nuno Pinto da Costa. Como se devem lembrar os portistas que têm uma boa memória, nessa altura eram só elogios para o Bruno. O novo candidato a colocar o Pinto da Costa na ordem. Até aplaudiram o corte de relações. Alguns, para além de homitos, também são macacos e macaquitos. Parafraseando Octávio Lacrau Machado - outro exemplar que quando disparava em direcção a Norte nunca lhe faltou tempo de antena, mas quando atirava para a Segunda Circular era ignorado -, vocês sabem de quem estou a falar....

    Também não deixo de achar curioso o facto de alguns homitos - muitos, são os mesmos - estarem agora preocupados com boicotes e apelos sem sentido, quando no passado um clube pediu aos seus adeptos para não verem os jogos fora, só acompanharem a equipa na Luz, um pedido que foi um autêntico crime lesa futebol, mas aí esses homitos não só não condenaram como promoveram e deram destaque ao boicote. É caso para dizer: há boicotes e boicotes. É como a promiscuidade entre a política e o futebol, por exemplo...

    Também não deixo de achar piada ao ver os mesmos homitos que quando Jesus estava no Benfica e fazia as antevisões dos jogos na BTV e apenas respondia às perguntas do "jornalista" da casa e fez isso muito tempo, não só nunca levantaram a voz contra essa pouca vergonha, como depois de rabinho entre as pernas passavam nas rádios, televisões e jornais as declarações do "Catredrático". É verdade, tanto que na altura cheguei a perguntar em que outro país os jornalistas iam aceitar uma coisa dessas? Já viram o que aconteceria em Inglaterra, se, por exemplo, José Mourinho fizesse a antevisão dos jogos do Manchester no canal do clube e na presença de um jornalista amigo?

    Alguns dos homitos e valentões de agora, são os mesmos que ignoraram e ignoram, silenciaram e silenciam, limitaram e limitam a pequenas notas de rodapé, escândalos como o caso da Porta 18, Vouchers, Jogo Duplo, e-mails, etc. E se sobre esses homitos estamos conversados, o que dizer do CNID e principalmente do Sindicato dos Jornalistas?
    Então nunca saíram a terreiro contra programas que são um atentado à ética, onde vale tudo em nome das audiências; nunca tiveram uma palavra contra notícias falsas, caluniosas, provocações sistemáticas e agora já têm algo a dizer? Será que só têm direitos e os deveres?

    Nota final:
    Ainda sobre a goleada sofrida pelo F.C.Porto na última quarta-feira, por mais que alguns tentem passar a mensagem que o maior escândalo protagonizado pelas equipas portuguesas nas provas europeias desta época, foram os 5-0 com que o Liverpool brindou o F.C.Porto, não foram, foram os 5-0 que o Benfica levou frente ao Basileia, os ZERO pontos do clube do regime na fase de grupos da Champions League. E é preciso repetir: se o F.C.Porto foi tão questionado quando ao sucesso interno juntava feitos notáveis a nível europeu - entre 2003 e 2011, os Dragões conquistaram quatro títulos internacionais, incluindo esse feito extraordinário que foi a conquista em 2004 da prova rainha da UEFA, troféu mais importante das competições entre clubes, do mundo - porque ninguém questiona agora nada sobre as razões do sucesso benfiquista a nível interno versus desastre europeu quando há tanta matéria para questionar?

    Cinco no jogo mais importante da semana 19/02/2018 04:46 O Tribunal do Dragão

    Era essencial vencer, pelas mais variadas razões: para reabilitar o moral da equipa e dos adeptos depois da Champions, para responder à pressão dos rivais e para assegurar que, aconteça o que acontecer na Amoreira, o FC Porto vai iniciar a 24ª jornada da Liga na liderança isolada do Campeonato. Os 45 minutos frente ao Estoril vão, assim, definir se o FC Porto vai ganhar alguma margem de erro à entrada para a reta final do Campeonato. 


    A receita terá que ser a mesma de hoje: uma entrada forte, agressiva, com uma linha de pressão alta e incansável na recuperação de bola e eficácia na hora de atirar à baliza. Não há margem/tempo para esperar pelo erro ou desgaste do adversário, pois tal não acontecerá, e se já estamos habituados a jogar contra equipas fechadas com 0x0 no marcador, neste caso tudo aponta para um Estoril a defender com tudo e todos. Nada que 45 minutos à Porto não possam resolver. 




    Entrada a matar (+) - Brahimi a solicitar Alex Telles nas costas; o cruzamento para a grande área, já com três unidades para três jogadores do Rio Ave; Soares não domina da melhor forma (ou conta como assistência?), mas apareciam logo três jogadores à entrada da grande área para a sobra; Sérgio Oliveira arriscou o remate, mas também já tinha Maxi isolado pela direita. Uma jogada com diversas soluções e que resultou num golo madrugador, que deu tranquilidade ao FC Porto rumo à goleada. A equipa soube pressionar bem e praticamente não deixou o Rio Ave entrar com perigo na grande área, limitando a equipa visitante a remates de meia distância.

    Sérgio Oliveira (+) - Abriu o marcador com um remate colocado, mas foi sobretudo nas tarefas mais recuadas que se destacou, ajudando a equilibrar a equipa com uma boa ocupação de espaço e contribuindo com 10 ações defensivas, além de ter ganho 8 dos 11 duelos que disputou. Não apareceu muito na circulação de bola (fez apenas um passe a cada 3 minutos), mas compensou com um bom sentido posicional e uma pressão forte sobre o adversário. Prolongou o bom momento no Campeonato. 

    Soares (+) - O reforço de inverno da época passada parece querer repetir a dose. Teve intervenção direta em 6 golos nos últimos 3 jogos internos - se no lance do 1x0 o passe para Sérgio Oliveira pareceu um mau domínio de bola, no 2x0 correspondeu com um belíssimo cabeceamento e soube ser oportuno para fechar o marcador, além de ter arrancado um vermelho que ficou por mostrar a Tarantini. Ainda criou mais duas situações de perigo e voltou a ter movimentações interessantes nas diagonais curtas. Sérgio Conceição avisou que dependeria de Soares decidir se a porta se abria ou fechava. O brasileiro parece decidido em arrombá-la. 

    A entrada de Óliver (+) - Na segunda parte, o FC Porto controlou sobretudo o espaço e não estava a conseguir fazer circular a bola. A entrada de Óliver significou o melhor momento do FC Porto na partida - tabelas, jogadas ao primeiro toque, maior velocidade de circulação e a obrigar o Rio Ave a correr atrás da redondinha. A jogada com Brahimi ficou na retina, tão boa que nem o argelino acreditou na oferta. Vinte minutos que mostraram que Óliver pode ser um oásis de tranquilidade quando é preciso guardar e circular a bola, em vez de fechar as linhas e limitar a equipa a bolas em profundidade.

    Palavra também para mais duas assistências de Alex Telles de bola parada - são já 11 no Campeonato. Em toda a Europa, só Neymar (12) e De Bruyne (14) têm mais. 




    Definição e discrição (-) - Notou-se que Brahimi precisava de um golo. Estava à procura da jogada, do momento que lhe daria confiança a nível individual. A verdade é que as coisas não saíram particularmente bem ao argelino - falhou 6 dos 11 dribles que tentou, criou apenas uma ocasião de golo e atirou uma bola à trave. Já quando o resultado estava feito, Brahimi pareceu querer sempre escolher o caminho mais complicado, trocando o jogo coletivo pela tentativa do lance individual.

    Corona ajudou muitas vezes Maxi no corredor e teve alguns pormenores interessantes, mas uma vez mais não conseguiu ter efeitos práticos no ataque - não fez nenhum passe para finalização, falhou os 4 cruzamentos que tentou e não conseguiu nenhum drible eficaz. Muitas vezes a movimentação/iniciativa correta, mas faltava o momento de definição.

    Já Marega voltou a marcar, chegando aos 17 golos na Liga, e bem pode agradecer o bom cruzamento de Alex Telles e o desvio de Marcelo para a própria baliza, caso contrário teriam sido 90 minutos de quase total anonimato: Marega fez apenas 5 passes em todo o jogo, tocou16 vezes na bola (metade das de Iker Casillas) e não fez nenhum passe para finalização nem nenhum cruzamento em 90 minutos. O maliano picou o ponto de bola parada, mas no jogo jogado raramente conseguiu aparecer. 

    Segue-se então o Estoril e a necessidade de 45 minutos à Porto. Literalmente. 

    F.C.Porto 5 - Rio Ave 0. Foi de manita que o Dragão disse: sai do meu lugar, ó líder provisório! 18/02/2018 20:23 Dragão até à Morte


    Num Dragão com uma excelente casa, 42.127 espectadores, numa manifestação de grande apoio e confiança na equipa depois da noite negra de quarta-feira, o F.C.Porto deu uma manita - 5-0 - ao Rio Ave e disse: sai daí ó líder provisório, esse lugar é meu!
    Agora, feito o que era fundamental - ganhar -, recuperada parte da auto-estima, é preciso preparar bem os 45 minutos que faltam jogar no Estoril, com a certeza que na pior das hipóteses, mantemos a liderança isolada, em caso de empate, ampliamos a vantagem em relação ao(s) segundo(s) para três pontos, mas o que era bom era a vitória, passaríamos  ater cinco pontos de avanço e isso seria ouro sobre o azul. Sim, porque não sendo uma vantagem decisiva, seria um passo importante no caminho para o título, grande objectivo da época.

    Entrando com Casillas, Maxi, Felipe, Marcano e Alex Telles, Herrera e Sérgio Oliveira, Corona, Marega, Soares e Brahimi, o F.C.Porto não podia ter início melhor. Iam decorridos apenas dois minutos e o marcador já tinha sido inaugurado - remate de fora da área de Sérgio Oliveira. Não podia haver melhor tónico para afastar alguns fantasmas que pudessem pairar sobre equipa e público.
    Depois, mesmo não sendo brilhantes, errando até muitos passes e definindo mal, os azuis e brancos aumentaram a contagem à passagem do minuto 22 - cabeça de Tiquinho Soares -, fizeram o terceiro aos 34 - por Marega a meias com Marcelo, embora  Liga tenha considerado auto-golo -, pelo meio, uma bola na barra num livre de Brahimi, após lance que valeu cartão amarelo e devia ter valido vermelho a Tarantini - Tiquinho Soares ia isolado para a baliza e na zona frontal -, mais uns poucos lances bem gizados, algumas oportunidades por parte da equipa de Sérgio Conceição, um disparate de Herrera, que não deu golo por acaso - pois é, lances desse na Champions são quase sempre cada tiro cada melro. E assim, sem precisar de mostrar o melhor fato, o F.C.Porto chegou ao intervalo com o jogo praticamente decidido.

    Para a segunda-parte e com uma vantagem confortável, tendo jogado a meio da semana passada e voltando a jogar a meio da próxima, seria natural que o ritmo que já não tinha sido muito alto na primeira-parte, diminuísse, os Dragões se limitassem a parar algum atrevimento dos vilacondenses, controlassem, estivessem mais preocupados em evitar sofrer que marcar. Mas esta equipa de Sérgio Conceição não é capaz de juntar àquela vontade de atacar, capacidade para ter e descansar com bola, controlar e não creio que vá mudar. E assim, mantendo a equipa do Rio Ave sob rédea curta, os líderes do campeonato nunca deixaram de atacar, procurar a baliza de Cássio, ampliar o resultado. Conseguiram-no por mais duas vezes, aos 72 - Marega de cabeça, após livre de Alex Telles, uma espécie de canto mais curto - e 84 - marcou Soares de costas para a baliza e em lance decidido pelo VAR -, ainda podiam ainda ter feitos mais três ou quatro. Seria demasiado castigador para o conjunto de Miguel Cardoso, mas apenas não fizeram por culpa de um Brahimi muito egoísta na cara do guarda-redes, forçando golos de ângulo difícil e exagerando nas fintas, quando podia ter assistido colegas em boa posição para marcar - não aprendeu nada com a simplicidade e altruísmo do trio atacante do Liverpool.

    Notas finais:
    Sérgio Conceição voltou a dar a titularidade a Casillas, relegando para o banco José Sá. Foi uma surpresa, pelo menos para mim, mas quem está lá dentro é que sabe tudo sobre os jogadores e legitimidade para tomar decisões. E se Sá ficou marcado e com a confiança balada após o jogo frente ao Liverpool, mudar até pode ser bom para o jovem internacional português.

    Dalot substituiu Alex Telles - justíssima a enorme salva de palmas que o Dragão, de pé, lhe tributou na hora da saída do campo - e fez a estreia na principal equipa do F.C.Porto, em jogos do campeonato. Não foi muito tempo, o jogo estava decidido, mas o jovem lateral que tanto joga numa lateral ou outra da defesa, é daqueles que não engana. É natural que ainda aconteça um ou outro erro, uma ou outra desatenção, mas Dalot é o futuro do F.C.Porto - isto se não vier por aí um daqueles tubarões endinheirados e o leve. 

    Passado mais de uma volta, o VAR voltou a decidir a favor do F.C.Porto. Tal como no primeiro jogo do campeonato, o resultado já estava feito, mas mesmo assim foi uma decisão arrancada a ferros.
    Mas sobre Carlos Xistra nem vale a pena falar muito. Apitava a todas as faltinhas, não apitava às faltonas... enfim, uma arbitragem anti-futebol.

    O REGRESSO À NORMALIDADE. 18/02/2018 17:30 Bibó Porto Carago


    FC PORTO-RIO AVE, 5-0

    O regresso à normalidade no FC Porto é o regresso às vitórias gordas no Dragão. Os azuis-e-brancos, na ressaca da noite trágica europeia, retomaram os caminhos das vitórias na Liga NOS, principal objectivo da temporada. E não se fizeram rogados. “Esmagaram” um Rio Ave que é das melhores equipas do campeonato quer em termos de pontuação, quer em termos de futebol jogado.

    De regresso também esteve Iker Casillas ao onze inicial para a principal prova portuguesa. O espanhol já não actuava na Liga Portuguesa desde Outubro e não foi surpresa para a generalidade dos adeptos do futebol assistir a este regresso. Depois da pouca inspirada exibição de José Sá na última partida e da necessidade de acrescentar experiência e maior qualidade na recta final da presente época, só aos mais distraídos, pode surpreender a opção de Sérgio Conceição na entrega da baliza a Iker Casillas.


    O jogo do FC Porto, frente aos vilacondenses, ficou facilitado logo aos 2 minutos da partida. Jogada pela esquerda, cruzamento de Telles para a área onde Soares tocou para Sérgio Oliveira e este, num remate colocado à entrada da área mas sem muita força, abriu o marcador na noite do Dragão. O FC Porto ameaçou de seguida com um livre cobrado por Brahimi a castigar derrube a Soares em que só faltou a amostragem da cartolina certa. Mas como sabemos, os padres fazem o que querem e só assinalam o que lhes interessa.

    Aos 22 minutos, Soares fez o segundo golo num cabeceamento após canto de Telles e aos 34 minutos Marega, desmarcado na esquerda por Brahimi, cruzou contra o corpo de Marcelo e a bola só parou no fundo das malhas, ampliando o resultado para três golos sem resposta.


    Ao intervalo a vantagem era bastante confortável e merecida. O Rio Ave não abdicou do seu modelo de jogo e não alterou o seu sistema por defrontar o FC Porto. Tentou jogar o jogo pelo jogo. É de saudar mas perante equipas com qualidades distintas, não há muito a fazer.

    Na etapa complementar, o FC Porto geriu o jogo e deu iniciativa ao seu adversário em alguns momentos, mas não deixou de tentar visar a baliza de Cássio. Sérgio Oliveira saiu, por questões de gestão, e entrou Óliver. João Novais colocou duas vezes Iker Casillas à prova e o jogador portista correspondeu como se esperava. No primeiro lance, o jogador vila-condense beneficiou de um livre que só existiu na cabeça do artista do apito.


    O quarto golo apareceu aos 72 minutos da partida na cobrança de um livre junto à bandeirola de canto. Alex Telles (quem havia de ser?) cobrou e Marega correspondeu de cabeça obtendo um golo de belo efeito.

    Doze minutos depois, Hernâni, entrado para o lugar de Corona, teve uma bela jogada dentro da grande área e foi carregado pelas costas. O árbitro “fechou os olhos”, a bola sobrou para Maxi que rematou contra Marcelo e Soares colocou-a, de seguida, dentro das redes.

    Prontamente anulado o golo pelo padre, o VAR interveio para validar o golo, corrigindo a calinada do padre de campo. Não podendo assinalar a grande penalidade sobre Hernâni por questões de protocolo, o VAR limitou-se a corrigir o erro do artista na questão do golo anulado. Fique sabendo o Sr. Xistra que um empurrão na grande área nas costas dá direito a grande penalidade e em situações destas não se aplica a lei da vantagem.


    Notas finais para a estreia de Diogo Dalot no campeonato, substituindo Alex Telles e para a bela moldura humana no Dragão. Pela negativa, o excesso de zelo e de necessidade de protagonismo do padre xistrense que assinalou ao FC Porto quase 30 faltas ofensivas (muitas delas absurdas) num jogo em que a goleada por cinco bolas sem resposta torna mais do que evidente que este padre é um péssimo promotor do espectáculo.

    Próxima paragem na Amoreira na Quarta-feira para jogar os segundos 45 minutos da partida com o Estoril que foi interrompida no dia 15 de Janeiro. Ao intervalo, o FC Porto encontra-se em desvantagem. Entrar com tudo e contra tudo são as palavras de ordem para conseguir resgatar 3 pontos muito importantes rumo ao objectivo.




    DECLARAÇÕES

    Sérgio Conceição: “Não tinha dúvidas de que íamos dar o máximo”

    Caráter e personalidade
    “Não entrámos a pensar no jogo com o Liverpool. Preparámos o jogo de forma tranquila, sabendo o que tínhamos de fazer frente a uma boa equipa, que está a realizar um excelente Campeonato. O caráter e a personalidade dos jogadores ficou sempre demonstrado após resultados negativos, não foi só hoje. Não tinha dúvidas de que íamos dar o máximo, mas podia acontecer que esse máximo não fosse suficiente. Entrámos forte, agressivos, no bom sentido, e conseguimos não deixar o Rio Ave sentir-se confortável no jogo. A nível de equilíbrio defensivo, também estivemos muito bem. Fizemos cinco golos, poderíamos ter feito mais, mas a diferença ajusta-se ao que se passou em campo.”

    A prioridade é o Campeonato
    “Há quatro ou cinco equipas que lutam pela Liga dos Campeões e depois pode haver uma ou outra surpresa. Defendemos um clube que tem história na Liga dos Campeões, mas mesmo os clubes que querem ganhar a Liga dos Campeões têm como principal objetivo a conquista do Campeonato. O nosso foco é o Campeonato, mas é claro que não gostamos de perder da forma que perdemos frente ao Liverpool. Não existe aquela diferença entre as duas equipas. Foi uma noite má da nossa parte.”


    Casillas na baliza
    “Faz parte das minhas opções, não mais do que isso. Os quatro guarda-redes têm trabalhado de uma forma fantástica e cabe-me escolher. Se puder escolher, creio que não existe qualquer maldade nisso. Foi simplesmente uma opção. Houve jogos em que o José Sá se calhar não esteve tão bem e continuou a jogar. Achei que neste período era importante a experiência de alguns jogadores em campo, além da qualidade, claro. Foi um conjunto de situações que avaliámos para depois decidirmos.”

    Intensidade é imagem de marca
    “Salvo raras exceções, temos sido intensos a época toda. Somos uma equipa que quer recuperar a bola rápido e que constantemente ganha duelos no jogo. Hoje foi isso que aconteceu. É pena por vezes os árbitros não interpretarem esses duelos e marcarem demasiadas faltas. Por vezes, apita-se demasiado no futebol português.”

    Os 45 minutos que faltam no Estoril
    “Desde o início do Campeonato que procuramos sempre a baliza adversária. Às vezes é preciso gerir melhor a posse de bola, etc, mas somos uma equipa muito objetiva, sempre à procura do golo. Da mesma forma que não pensámos no jogo com o Liverpool, também não pensámos nos 45 minutos que faltam jogar no Estoril. É um jogo especial e vamos entrar com muita vontade de ganhar, como sempre.”



    RESUMO DO JOGO

    A culpa de Conceição e do plantel 18/02/2018 09:41 O Tribunal do Dragão

    14-02-2018: o dia da maior derrota caseira da história do FC Porto. Os 5-0 sofridos diante do Liverpool superam, em volume de resultado e desilusão, os 6-2 que tinham sido sofridos nos longínquos anos de 1943 e 1945 contra os Unidos de Lisboa e os Belenenses. O que choca é isso: a expressão do resultado, que surpreendeu o próprio Liverpool. A derrota, essa, é mais do que natural. 


    Sérgio Conceição e o plantel são culpados disso mesmo: o milagre que têm feito esta época é tão vasto que fez crer os adeptos que era possível competir frente a este Liverpool. Pura ilusão, mas que é inerente ao espírito de qualquer adepto do FC Porto. Os portistas são incapazes de olhar para uma eliminatória sem pensar em superá-la. Achavam que era possível superar este jogo como pensaram que o FC Porto de Luís Castro eliminaria o Sevilha, que FC Porto de Lopetegui resistiria em Munique, que o FC Porto de Peseiro ganhava ao Dortmund e que o FC Porto de Espírito Santo bateria a Juventus. Há jogo que não pensem em ganhar? Há jogo em que não sintam que há uma certa obrigação de vencer?

    A verdade é que não temos, neste momento, pedalada para o Liverpool, nem para ambicionar a mais do que a fase de grupos da Champions. Em vez de A podia jogar B, Sérgio Conceição poderia ter optado por outra estratégia, mas o Liverpool, com maior ou menor facilidade, passaria esta eliminatória. Isto não é acaso nenhum e não nos podemos esquecer que já foi com imensa felicidade que o FC Porto conseguiu passar a fase de grupos - para todos os efeitos, o objetivo traçado e que já foi cumprido. O resultado final tem o poder de maquilhar 90 minutos, mas não nos podemos esquecer do trajeto até aqui.

    Quem acompanhou os jogos da fase de grupos, com olhos de ver (o que, muitas vezes, não é o mesmo que olhos de adepto), já saberia que iria ser muito difícil tirar alguma coisa deste jogo. Recordamos somente dois dados escritos n'O Tribunal do Dragão há dois meses.

    «Os guarda-redes do FC Porto estão entre os que menos trabalho tiveram na fase de grupos. Casillas e José Sá, juntos, fizeram 14 defesas, a 3ª marca mais baixa entre as equipas qualificadas (menos só Juventus e Basileia). No entanto, há que ter em conta que o FC Porto sofreu 10 golos, ou seja, as equipas adversárias quase conseguem marcar um golo a cada dois remates ao alvo. »

    Lá está. Os guarda-redes do FC Porto não tiveram muito trabalho na Champions, mas quando os adversários rematam, na maior parte das vezes, dá golo. Foi o que aconteceu. O Liverpool atirou 6 vezes ao alvo e marcou 5 golos. O guarda-redes do Liverpool fez mais defesas do que José Sá. Mas quando os adversários rematam de forma enquadrada com a baliza... Normalmente dá golo. Outro detalhe:

    «O FC Porto foi a equipa qualificada que menos tempo teve a bola em seu poder (23 minutos de tempo útil) e a 2ª pior percentagem de acerto no passe (77%). Algo a rever para quem quer sonhar nos 1/8.»

    Aí está. O FC Porto foi alérgico à bola na fase de grupos. Basta recordar que, antes da goleada aos suplentes do Mónaco, o FC Porto tinha feito 10 golos: 7 de bola parada, uma bola em profundidade, um golo de contra-ataque e uma jogada de insistência na grande área. Ou seja, não viram o FC Porto marcar um golo que fosse após circulação e ataque planeado. Nada. Ou era de bola parada ou com uma bola direta na frente. Fomos uma equipa com muitas dificuldades em relacionar-se com a bola na fase de grupos. 

    O que se viu na receção ao Liverpool? Adversário com 68% de posse de bola aos 10 minutos e 74% aos 20 minutos. Pecado mortal, relacionando isto com a forma como o TdD terminava a crónica da vitória frente ao Chaves: «E certamente que, frente ao Liverpool, não poderemos dar-lhes a bola como demos ao Chaves.» Por outro lado, era assim que o FC Porto vinha jogando desde a fase de grupos; era pouco credível que fosse possível mudar completamente para uma eliminatória com o Liverpool. 

    Mas foi a morte do artista. O FC Porto não corrigiu este aspecto relativamente à fase de grupos e cometeu o erro de dar a bola ao Liverpool. Com os executantes e eficácia que a equipa inglesa tem, tinha tudo para correr mal. Demos o ouro ao bandido e o adversário fez o que quis do FC Porto.

    A história poderia ter sido diferente? Podia. Se Otávio tivesse feito o 1x0, se Soares tivesse aproveitado a oportunidade a fechar a primeira parte, se José Sá não tivesse falhado... Se, se, se. Quando começamos a enumerar demasiados «ses», estamos em território perdido. 

    Sejamos francos. Superar a fase de grupos, tendo em conta o futebol que o FC Porto apresentou, já foi notável. Não é normal uma equipa com tantas dificuldades no jogo com bola vingar na Champions. Logo, não é acidente. O que acontece é que o Liverpool é um bocadinho melhor do que Besiktas ou Leipzig. E fizemos dois grandes resultados contra o Mónaco, mas a fase de grupos revelou que o Mónaco se calhar não era assim tão bom. Não deu para corrigir os erros - ou mudar algumas coisas - após a fase de grupos e, assim, a derrota é uma mera consequência. Sérgio Conceição tentou não mudar muito, mas infelizmente não funcionou. 

    Embora a superioridade do Liverpool seja natural, há algumas coisas que têm que ser discutidas. E indo diretamente ao assunto: se querem ganhar o Campeonato, a dobradinha, metam Iker Casillas na baliza. Estas coisas pesam. José Sá é bom rapaz, fez duas boas defesas contra o SC Braga, mas a única coisa que faz melhor do que o espanhol é a reposição da bola em campo (sim, há que dar mérito a Sá - repõe melhor a bola do que Iker, embora o português jogue mais vezes curto do que o espanhol). A maioria das bolas que vão à baliza de José Sá dão golo. Certo, podia ter feito mais no lance do 1x0, mas nos outros pouco podia fazer. Mas psicologicamente, mesmo para a equipa, é desolador saber que se os defesas deixarem escapar alguma bola provavelmente vai dar golo. 

    Aquilo que José Sá está, neste momento, a fazer na baliza do FC Porto fá-lo-iam Vaná ou Fabiano. Ou Beto ou Bracalli. Ou Andrés Fernández ou Ricardo Nunes. Temos Iker disponível e não faz sentido nenhum que não seja o titular. É melhor do que José Sá (das 24 bolas que foram à sua baliza na Champions, 12 deram golo). Ponto. Os melhores têm que jogar. Sejamos francos: os adeptos só aceitam, toleram, esta opção de Sérgio Conceição por o FC Porto estar a liderar o Campeonato. Imaginem que esta seria uma decisão tomada por Paulo Fonseca ou Lopetegui. Ninguém ponderaria sequer a hipótese de Sá treinar melhor do que Iker...

    E agora um pouco de contexto. A Champions reúne as melhores equipas da Europa. São 32 equipas. Centenas de horas de futebol. Centenas de futebolistas que foram utilizados no decorrer da prova. E entre todos esses jogadores, há apenas um, apenas um, que perdeu a bola na maioria das vezes que tocou nela. Só mesmo para reforçar: entre toda a competição, e todo o universo de Champions, só um jogador perde a bola na maioria das vezes em que interfere no jogo. Não vale a pena dizer quem é, pois. 

    Marega tem sido um bom profissional no FC Porto, trabalha muito, tenta fazer o melhor que pode. Mas ver o FC Porto depender de um jogador com tamanhas e insuperáveis limitações no ataque é absolutamente penoso. Saímos do mercado de inverno, contratámos 3 jogadores de caraterísticas ofensivas (um deles um regresso após empréstimo) e parece que continua a não haver outro plano senão ter Marega no 11. Como podemos considerar que o mercado de inverno foi um sucesso neste sentido?

    Sim, sim, Marega tem 16 golos no Campeonato. Não marcou na Champions, nem contra o top 4 da Liga (basicamente em nenhum jogo de grau de dificuldade elevado, mas isso é um problema de toda a equipa), mas para todos os efeitos é o melhor marcador do FC Porto na Liga. Mas considerando a quantidade de vezes em que a equipa lhe serve a bola na grande área e o facto de ser o mais rematador do plantel (ainda que 73,8% dos seus remates tenham sido desenquadrados), acaba por ser mais consequência de tempo de utilização/contexto de jogo do que da própria valia técnica individual do jogador. Não que não haja mérito na dimensão física e, não raras vezes, no bom posicionamento que Marega consegue assumir (veja-se o exemplo do clássico do Benfica - Marega desperdiça as 3 ocasiões, mas foi sempre ele a aparecer em posições favoráveis para finalizar). Mas não chega.

    Os adeptos habituaram-se a observar/reconhecer que Marega luta muito pelo corredor direito, mas objetivamente: quantas vezes viram Marega ir à linha e sacar de um cruzamento eficaz?; quantas vezes viram Marega fazer uma diagonal, enquadrar-se com a baliza e rematar? A verdade é que a esmagadora maioria das disputas de Marega acabam por ter zero efeitos práticos. Muita luta, poucas consequências. Solução? Reconhecer que Marega pode ser importante em vários momentos no Campeonato português, mas não pode ser aquele jogador que vai estar sistematicamente 90 minutos em campo à espera que saquem de um coelho da cartola.

    Não pode, por exemplo, ser comparável a Brahimi, que do nada pode inventar uma jogada que ajuda a resolver um jogo. Marega não faz isso, não pode resolver nada por si próprio, logo a equipa não pode estar dependente dele. As coisas estão a correr mal? Tirem Marega do jogo, pois possivelmente será o último a resolver algo sozinho. E porquê jogar sempre quase por decreto no 11? Porque não guardar Marega para uma segunda parte e enquadrá-lo no caudal ofensivo da equipa? 

    Tem que haver mais soluções. Vêm aí jogos essenciais e, embora Marega vá certamente contribuir com alguns golos no que resta do Campeonato, não poderemos dar-nos ao luxo de ter um jogador que, nos clássicos, vai matar quase todas as jogadas de ataque com más receções e domínios de bola. 

    Quanto à Champions, e por mais que este resultado tenha doído, a verdade é que esta é a única competição na qual o FC Porto já cumpriu os objetivos para esta época. SAD e equipa definiram os oitavos com meta e os resultados foram atingidos. Mais do que isso, neste momento, não dá. Não se esqueçam de como começou a época: o FC Porto foi o único clube castigado pela UEFA por não cumprir o fair-play financeiro para 2017-18. Esta conquista já ninguém tira à SAD. E Sérgio Conceição, antes de dar o primeiro treino, ficou logo sem 3 jogadores na lista de inscritos para a Champions, consequência da péssima gestão financeira e desportiva da SAD do FC Porto. Exigir o quer que fosse desta época, a nível europeu, era uma utopia.

    Querem voltar a elevar a fasquia? Apresentem a fatura a quem aproximou o FC Porto da ruína financeira e não a quem tem feito milagres. Sim, Sérgio Conceição e este plantel têm feito milagres. Cumpriram os objetivos na Champions, estão a um passo da final da Taça de Portugal e dependem de si próprios para continuar na liderança da Liga, num dos campeonatos mais difíceis e competitivos dos últimos anos. 

    Treinador e jogadores são culpados por isso: por terem reabilitado competitivamente o FC Porto num contexto de extrema incompetência/indiferença na SAD, que não cumpre o fair-play financeiro, não renova contratos (Aboubakar sendo uma das poucas excepções), não vende jogadores por verbas significativas sem a intervenção de Jorge Mendes no verão e não dá a cara na hora da pior derrota caseira da história do FC Porto. Se os adeptos acreditam que podem ser campeões, que podem fazer a dobradinha e que podiam ser competitivos diante do Liverpool é única e exclusivamente graças a Sérgio Conceição e ao grupo por ele liderado. Por isso, assim se justifica e se subscreve o aplauso dos adeptos que ficaram no Dragão após a maior derrota da história do clube a jogar em causa. Não pelos 90 minutos que ficaram para trás, mas pelo que aí vem. 

    Venha o Rio Ave e os 90 minutos mais importantes da semana. 

    "O rei vai nu", por Felisberto Costa 17/02/2018 16:52 Dragão até à Morte


    Sejamos sinceros; a goleada sofrida com o Liverpool doeu e de que maneira! Por muito carinho, apreço e suporte que demos, damos e vamos continuar a dar a esta equipa do FC PORTO, convém descascar esta maçã podre.
    Não foi só o FC PORTO que foi goleado, sendo o factor casa ou fora, um pormenor aleatório. Os rivais também o foram e contra equipas que em nada tem o estatuto do Liverpoool. Na emoção/falta de razão do adepto comum, na qual me incluo, as goleadas que os nosso rivais sofrem são balsamo para as nossas dores. O pior é que o contrário também sucede…
    Como vivemos desde que me conheço, num futebol de clima crispado, onde tem que haver um mais melhor bom, que se congratula estúpidamente como tendo 6 milhões de adeptos e outro que proclama ter 3,5, como pode o futebol português ser saudável? Como pode evoluir se a quase unanimidade do país só quer 2 clubes, o 3ª considerado grande não tem gente para encher o Dragão - devem ser as paletes de chineses que falava o Futre? Como querem que não haja elefantes brancos em estádios como Leiria, Aveiro e Algarve, vazios, a degradarem-se, safando-se apenas pelos jogos que a selecção/Continente lá faz, porque em certos sítios de Portugal quem for do clube da terra e não do vermelho sangue, é esquisito e não percebe nada de futebol? Como pode o futebol português evoluir, se há um clube que exige ser tratado como um estado dentro doutro estado, e transmite os seus jogos no seu próprio canal, sendo pago regiamente por uma operadora que ignora que do outro lado do campo também está uma equipa que os vai defrontar? E nesse aspecto isso é válido para os 3 grandes. Como pode o futebol português evoluir se o bolo é repartido por uns e as migalhas disputadas por tantos? E que esse bolo é mesmo assim, ridiculamente pobre á beira dos outros bolos europeus? Como pode o futebol português evoluir se o tempo útil de jogo em média não ultrapassa os 40 minutos? Como pode o futebol português evoluir se aquilo que veio para ajudar, o dito VAR, mais não é que uma forma de gozar, sim friso e sublinho a palavra gozar, com quem vê futebol há mais de meio século? Como pode o futebol português bater-se de igual para igual quando os Coentrões deste mundo, provocam, gozam e achincalham colegas profissionais, árbitros e público, para depois se fazerem de vitimas? Como pode o futebol português ir para a frente se há um presidente que exige que os seus consócios digam que ele é o Rei-Sol em pessoa? E isto é só a rama! Há tantos e tantos outros factores, que tornariam esta crónica num autêntico julgamento a quem manda no futebol cá do sitio! Como pode o futebol português evoluir se há uma (des)comunicação social que branqueia um ou dois clubes e faz chacota ou quando não faz, ignora, os outros? Desde quando clubes como um Braga, Boavista, Portimonense, Rio Ave foram capas de jornais desportivos? Os supra sumos do marketing tem a ideia peregrina que o que vende não é a credibilidade do jornal, mas sim o populismo da capa?
    Mas e abreviando o que está bem á vista de todos - quer dizer, quase todos, já que as peças dirigentes do futebol continuam em desfilar numa feira de vaidades egocêntricas, e sem nenhuma vontade ou força ou carácter de mudar o que está mal - há um outro lado que se todos analisarem bem, também contribui para o definhar do nosso futebol: a hegemonia avermelhada!
    Se repararem bem, quando é o clube do regime que detém o poder, todos os outros clubes murcham, desaparecem de cena, fazem figuras tristes! O clube encarnado é uma espécie de eucalipto que seca o futebol português, e em vez de se melhorar o ambiente, ainda tem o beneplácito das altas figuras, figurinhas e figurões deste país! Está tudo a arder? Porreiro, bota mais achas nessa fogueira!
    Quando o FC PORTO teve a fama de ser hegemónico durante 30 anos - o que uma falácia grave, distorcida e centralizada pelos panfletos e pantalhas da capital do império - houve conjunturalmente uma subida de qualidade no nosso futebol! Para além dos titulos internacionais que obtivemos, tivemos também equipas a fazer honrar e dignificar o nosso futebol, começando até pelo próprio rival que foi finalista da Taça milionária por 2 vezes, um Sporting que chegou a uma final europeia na sua própria casa, uma semi-final e uma final europeia entre clubes portugueses, um ranking de 3 ou 4 equipas na Champions e vários outros com prestações dignas e recomendáveis nas outras competições uefeiras! Se isto era resultado da fruta, bendita banana que penetrou em muitos clubes! Agora é tudo mais fino, é jantares a 200 euros para a plebe não arrotar muito!
    Creio bem que o dinheiro, que não faz a felicidade, mas ajuda a fazê-la, mostra porque é que os mais ricos estão lá sempre no topo a disputar os quartos e meias-finais da Champions, mas caramba, se não vou ao Algarve de Maserati, vou de Fiat Punto e chego lá também!
    Só que, enquanto a imbecilidade, o tráfico de influências, a ridícula noção de ser o maior do Mundo e arredores, enfim a tradicional e tacanha mentalidade portuguesa de que em terra de cegos quem tem um olho é rei, vamos ser os invisuais desta Europa que não se importa minimamente nada com quem fica para trás. Se na política e com o esforço incomensurável da maioria de todos nós, não despegamos, porque raio no futebol que até temos jeito para isso e até temos o melhor do Mundo, andamos a penar numa espécie de 2ª divisão?
    Tem a palavra quem a deveria ter, mas infelizmente e pelos vistos, agora fala-se pouco. É mais por… e-mails!
    Por tudo isto é lógico que não me senti humilhado por ter levado cincazero do Liverpool. Triste sim, e humilhação só se for por saber que tudo vai continuar na mesma, com os guarda-redes a prostrarem-se no chão, com cãibras, os jogos a terem 35 a 40 minutos de tempo útil, os árbitros a serem cada vez mais humanos que qualquer dia se tornam extra-terrestres, tamanhos são os erros da sua incompetência e honestidade, por ver gente a assassinar este nosso futebol, apanhados em flagrante de faca na mão, mas quem tem a fama é um certo clube que equipa de azul-e-branco. Isto sim, humilha-me e de que maneira…
    De qualquer modo, espero por vós nos Aliados!

    Nota:
    Tinha um post para publicar e que era muito dentro disto que o Felisberto me enviou. Como no tasco os convidados são sempre bem tratados... apenas reforço com o que já tinha dito há tempos aqui.
    Porque demoram tanto a parar o tumor?


    F.C.Porto - Rio Ave. Não preciso de recitais para limpar a face, bastam-me os 3 pontos.

    Mesmo que tudo tivesse corrido muito bem na quarta-feira e correu tudo muito mal, hoje diria o mesmo: temos de ganhar ao Rio Ave. Por uma razão muito simples: o campeonato é o grande objectivo da época, temos dado provas semanais que podemos conseguir esse desiderato, fazer regressar o título ao Dragão, voltar a encher os Aliados.
    Por isso, amanhã não espero uma equipa à procura de dar um grande recital e preocupada em limpar a má imagem deixada frente ao Liverpool e por isso, uma equipa cheia de pressa e sôfrega. Não, porque a pressa é má conselheira e a sofreguidão tira discernimento. Apenas espero um Porto positivo e capaz de ganhar.
    No futuro, se como espero o F.C.Porto for campeão, o que primeiro recordarei, não será de certeza a noite negra da Champions, será a conquista do título após quatro anos de seca e depois de ninguém apostar nada neste Porto no início da temporada 2017/2018. Até porque quem nunca foi goleado que atire a primeira pedra...

    A minha equipa:
    José Sá, Maxi, Felipe, Marcano e Alex Telles, Herrera e Sérgio Oliveira, Corona, Marega, Soares e Brahimi.

    O Polvo, uma pata da cadeira do poder 16/02/2018 09:17 Reflexão Portista

    Foi quase há um ano já que Francisco J. Marques surgiu, pela primeira vez, no Porto Canal com algo que, a principio, muitos incautos trataram com sorna e anedocta mas que, desde então, se tem revelado com algo tão podre e maligno que só mesmo num país como Portugal é que o mensageiro pode ser colocado em dúvida. Os "emails" ou o "emailgate" que a inicio para alguns era só uma forma disparatada de distrair a atenção para mais um erro de casting com consequências nefastas como foi a eleição de NES como treinador acabou por ser o cimento que reacendeu a chama azul-e-branca e, também, o ponto de partida para uma série de escabrosas revelações que colocaram em cheque-mate tudo o que sabemos sobre o futebol português da última década (e não só). No entanto, quase 365 dias depois, o que aconteceu?
    Nada. Absolutamente nada. 

    Os "presumiveis criminosos" - porque a lista de possiveis crimes divulgada é tão extensa que "presumiveis criminosos" é o mais ligeiro que se pode dizer em casos assim - continuam soltos, tranquilos e a repetir as mesmas práticas de sempre. No terreno de jogo a impunidade segue, este ano com um inesperado aliado em forma de VAR - ou como alguns memes virais têm tentado descrever, a "conexão com Skype directa com o "Primeiro-Ministro " e não há sinal de que a situação se altere. Talvez tenha a ver com o facto - já divulgado - de que o Benfica presumivelmente tem informação comprometida e confidencial sobre árbitros. Talvez tenha a ver com o facto - já divulgado - que o Benfica tem relação privilegiada com os inspectores anti-doping, com dirigentes de outros clubes, com dirigentes políticos, judiciais e pode mesmo até ter a ver com o facto de que nem o Presidente da Federação escapa a ter a sua vida controlada minuciosamente. Quem sabe.
    O certo é que nos últimos meses - depois da divulgação de toda essa informação - algo mais sério e grave veio à tona que demonstra, na prática, porque é que ainda nada aconteceu e porque é que, provavelmente, nada acontecerá. As ligações do Benfica, através do seu presidente e esbirros, não se limitam apenas ao mundo do futebol e ao seu controlo na sombra do mesmo através da compra de árbitros, dirigentes rivais (directamente ou ajudando financeiramente os seus clubes pagando salários, emprestando dinheiro em operações de jogadores adquiridos e emprestados num circuito inumano), jogadores rivais ou figuras dos corredores do poder na Liga ou Federação. Quando saiu para a rua o processo Apito Dourado, o tal processo que era o exemplo máximo da asquerosidade do futebol português - tão limpo e impoluto nas décadas anteriores, seguramente - o máximo que os seus criticos conseguiram foram gravações telefónicas que envolviam a escolha de árbitros ("o João, pode ser o João) e cafés tomados entre dirigentes, árbitros e empresários para solucionar resultados que em campo já o estavam num ano em que, azar dos azares, o alvo a abater também decidiu comprar as altas instâncias do futebol europeu e venceu a Champions League, essa competição que só um clube de um país periférico levantou nos últimos 20 anos. Tudo isso parecia saído de uma novela cómica mas para as virgens ofendidas era apenas e só o principio do fim do Mundo. Que calados que estão agora.

    A questão evidente é que este Polvo de proporções épicas tem sido silenciado, não levanta estupor público nem gera o mesmo sentimento de desprezo e asco porque, na base de tudo, o problema não é o Benfica, nem sequer é o futebol português como tal. O problema é Portugal.
    O que Luis Filipe Vieira fez vai muito, muito mais além do que tentaram acusar Pinto da Costa e o FC Porto há quinze anos atrás. Se na altura o Apito Dourado parecia ser um caso exclusivamente desportivo, o Polvo encarnado é apenas um tentáculo de um monstro marinho maior, uma pata de uma cadeira de interesses que é a base da actual sociedade portuguesa. Vieira utilizou o seu clube para montar uma teia de interesses que rapidamente se aliou a outros dentro do poder financeiro e económico - não é por caso que é também o maior devedor do país e peça chave no escândalo BES -, do poder político (o caso Centeno, a presença habitual de governantes no palco presidencial da Luz) e, como se tem sabido agora, do poder judicial (toupeiras dentro da PJ, juizes-desembargadores a pedir favores e a pagar os mesmos, advogados em altas instâncias comprados) e também do poder mediático (que tem mantido sobre tudo isto um silêncio ensudecedor face à gravidade dos casos divulgados. 
    O Benfica é altamente beneficiado a todos os niveis mas mais beneficiado ainda é o seu Presidente e não é por casualidade que muitos suspeitam já que a fonte original de todos os emails que precipitaram a caída das peças de dominó tenham vindo de dentro do próprio clube por figuras desejosas de ocupar o seu lugar e, com ele, as suas benesses. O que no entanto, a inicio, parecia um esquema criado para beneficiar o clube resulta na práctica ser um esquema para beneficiar uma série de elementos de distintos meios - entidades bancárias, carreiras políticas, judiciais, mediáticas - em que o Benfica é uma parte do esquema e não o seu fim. Uma realidade que vai muito para lá da corrupção desportiva e que, em comparação, faz parecer as acusações do Apito Dourado uma brincadeira inocente de meninos. A quem chamou ao Porto um dia Palermo seguramente olharia agora para Lisboa com vontade de mudar o nome da cidade a Purgatório mas a coragem para atacar uns é quase sempre proporcional à cobardia para atacar outros. 



    Neste cenário verdadeiramente dantesco onde o trabalho de divulgação de Francisco J. Marques, a investigação paralela pouco ruidosa - é certo - de outros meios e o trabalho da Policia Judiciária (que já sabe que conta internamente com filtrações, quem sabe se as mesmas que subiram ao YouTube as escutas do AD, um método que na altura escandlizou menos que publicar emails) tem sido mais do que meritório, é dificil acreditar que algo vá suceder na prática. Nem despromoção, nem retirada de títulos - modelo aplicado em Itália regularmente em casos muito menos graves - nem retirada de pontos (o que foi feito, em primeira instância com o FC Porto mas que agora não pode ser aplicado porque, ao contrário desse FC Porto, solvente campeão nacional, isso significaria perder títulos) nem sequer uma reprimenda. Fazer cair o Benfica e o seu presidente era fazer cair o sistema. Era fazer cair o clientelismo dos grandes partidos políticos, os interesses à volta dos grandes bancos e das famílias que os controlam. Era destapar a podridão que grassa no sistema judiciário entre advogados, procuradores e juzies. Era ressaltar, de novo, que a imprensa portuguesa de independente e corajosa tem pouco. Era tocar em demasiadas peças ao mesmo tempo. O mérito de Vieira não foi criar um império de interesses "presumivelmente" criminais à volta do Benfica para beneficiar-se desportivamente e pessoalmente do mesmo. O seu grande mérito é ter feito do seu clube e da sua pessoa peça indispensável nessa engrenagem colectiva a ponto de que a sua queda seria sempre amparada por aqueles à sua volta sob pena de, como uma gangrena, extender-se a outros pontos onde vivem personalidades mais intocáveis do que ele próprio e que nunca o poderiam permitir. 

    O silêncio das autoridades políticas, dos arautos da verdade e da moral e sobretudo da indignação fabricada de um país - todo o oposto que vivemos há mais de dez anos - tem uma base muito concreta. O FC Porto nesta guerra não luta só contra o Benfica de Vieira, esbirros e corruptores, dentro e fora de campo. Mais do que no regime do Estado Novo, é nesta podre e caduca república parlamentária, que o FC Porto mais isolado e frágil se encontro e é contra rivais mais poderosos e irredutiveis que se mede nesta batalha. Podemos muitos não ter sequer a menor ideia do tamanho do Polvo, que mais do que um polvo é um monstro marinho, e que a cada novo email, cada nova revelação nos vai surpreendendo. O que sabemos todos é que enfrentar este monstro com vida própria e interesses determinados é e será, sem dúvida, a maior batalha da história do FC Porto. Uma batalha onde a união e o arrojo tem de ser superior a tudo e a todos. Um passo em falso e podemos estar a falar de um final trágico e irreversível. O sistema não vai cair pelo seu próprio peso, não vai cair desde dentro - como em Itália passou, tanto a nível político como desportivo - nem vai cair sem dar luta. Resta saber se o Dragão encontra todas as forças para plantar batalha e não arredar pé. 
     

    Coitados daqueles que caindo, mesmo com estrondo, ficam prostrados, não são capazes de reagir. 15/02/2018 19:26 Dragão até à Morte


    Notas de abertura:
    Bocas de benfiquistas e sportinguistas, faz parte do folclore, quando lhes toca a eles e ainda esta época tocou e de que maneira, também fazemos o mesmo. Agora que haja portistas que só reagem para zurzir em tudo e todos, quando as coisas correm mal, aí já é outra coisa, não aceito. Ponto!

    A discussão José Sá versus Iker Casillas já foi feita na altura em que o treinador tomou a decisão de trocar o guarda-redes espanhol pelo português. Dizer agora que ontem devia ter jogado o Iker em vez do José, depois deste último ter estado muito bem nos jogos frente a Braga, Sporting e Chaves, é fazer prognósticos após os jogos e eu isso nunca faço.
    Iker daqui a 3 meses está fora do F.C.Porto, José Sá é o futuro. Ponto!

    Dito o que era preciso, vamos ao que interessa.
    Um portista que num espaço de 8 anos - entre 2003 e 2011 - viu o seu clube vencer quatro troféus internacionais, incluindo esse feito extraordinário que foi a conquista da Champions em 2004, é natural que ontem tenha saído do Dragão, triste e amargurado perante a constatação de uma realidade que é muito dura e  custa muito a aceitar. Mas é bom que sejamos pragmáticos e objectivos. Primeiro, porque esta décalage vai ter tendência a aumentar - quando o Liverpool gasta 70 milhões na contratação de um defesa-central ou quando o último classificado da Premier League recebe mais por ano, só de direitos televisivos, que o orçamento do F.C.Porto, está tudo dito. Segundo e ainda sobre o jogo. Repito: o Liverpool é muito melhor que o F.C.Porto, em condições normais, isto é, as duas equipas a jogarem o seu melhor, ganha. Em condições anormais, como aconteceu ontem, Porto privado de três jogadores importantes e a cometer erros graves, pior. Como o mais forte tem um ataque fantástico, jogadores que com espaço são letais e que só precisam de meia oportunidade para fazer golo, o jogo pode acabar, como aconteceu ontem, em goleada.
    Como conclusão, para mim é claro:
    Só temos capacidade para enfrentar estas equipas e não dar barraca, se fizermos uma exibição perfeita.
    Para além de tudo o que já referi, ainda existe outro problema que prejudica as equipas portuguesas que participam nas provas europeias. O nosso futebol é um futebol de faltas e faltinhas, verdadeiros concertos de apito, jogo quase sempre interrompido. Quando apanhamos uma equipa habituada a outros ritmos e a um futebol de contacto permanente, um árbitro de critério largo e que deixa jogar, também pagamos um preço. O segundo golo do Liverpool é um exemplo paradigmático. Defesa e em particular Alex Telles, à espera de uma falta, o árbitro não assinalou, Salah vem de trás do lateral portista e com o génio que o caracteriza faz golo.

    Agora, depois destes lugares comuns, mas que deviam sempre sempre presentes no espírito de quem treina e joga quando defrontamos equipas deste calibre, temos todos duas hipóteses: ficar a lamentar a nossa triste sina, vergados ao peso de um resultado que ninguém estava à espera, ou transformamos a nossa tristeza num sentimento de revolta já no próximo jogo, damos um sinal que não é uma noite, por mais negra que seja, que vai abater este Dragão que não tendo a chama de outrora, em particular na Europa, ainda tem chama suficiente para alcançar os objectivos pretendidos. Coitados daqueles que caindo, mesmo com estrondo, ficam prostrados, não são capazes de reagir.
    Vencemos o campeonato com Jesualdo Ferreira, numa época que fomos goleados pelo Arsenal e até ridicularizados.

    Notas finais:
    Há quem diga que tivemos demasiado respeito, até medo do poderio do Liverpool. Até ao primeiro golo dos ingleses não vi medo nenhum. Depois do segundo que, recorde-se, veio passados apenas 4 minutos, é natural que a força anímica não fosse muita, a reacção fosse tímida. E quando o adversário em cada ataque fez golo, não há alma nem crença que resista, então é que fica complicado, quem está lá dentro só se pede que o jogo acabe depressa.

    No chiqueiro da queimada tem uma sondagem com esta pergunta:
    «O resultado do F.C.Porto é uma humilhação para o futebol português?»
    Se eu tivesse algum poder no F.C.Porto, podem ter a certeza que ia querer saber se quando o Benfica levou cinco em Basileia, tinham feito a mesma sondagem e colocado a mesma perfgunta. E se a resposta fosse não, eles iam penar. Ai se iam... Como não tenho poder nenhum, pergunto: até quando vamos permitir, sem raegir, estas provocações?

    F.C.Porto 0 - Liverpool F.C. 5. É duro, mas eles são muito melhores 14/02/2018 23:53 Dragão até à Morte


    Como tinha dito na antevisão, o F.C.Porto tinha pela frente uma equipa fortíssima no seu conjunto, mas com um ataque fantástico, capaz de numa noite de inspiração fazer coisas do arco da velha. Disse também que um bom Porto não chegava, era preciso um super-Porto com tudo e todos a funcionar em pleno, que só assim poderíamos conseguir um resultado positivo, deixar a eliminatória em aberto. Mas como hoje não só não houve um super-Porto, como nem sequer um bom Porto, foi claramente um Porto abaixo das suas possibilidades, as consequências estão aí: foi a pior derrota do F.C.Porto, em casa, da história.

    Agora é olhar para a frente, esperar que esta goleada não deixe marcas, já contra o Rio Ave, numa realidade bem diferente, a equipa de Sérgio Conceição consiga ultrapassar qualquer trauma que este jogo possa ter deixado e volte às vitórias. O campeonato é o grande objectivo da época, queremos muito ser campeões e portanto não podemos ficar prostrados, ficar a lamentar esta noite de pesadelo. Não, temos de reagir, ser capazes de nos erguer rapidamente. Essa tem que continuar a ser a nossa marca, porque só assim podemos conseguir aquilo que perseguimos e desejamos muito: trazer o título de volta ao Dragão.
    Como acredito nas capacidades do treinador, porque é a Sérgio Conceição que se deve em primeiro lugar este entusiasmo em volta do futebol portista, não é esta noite de grande tristeza que me retira a confiança. E se uma derrota destas nunca pode trazer nada de positivo, pelo menos tem a vantagem de filtrar a fazer sair da toca alguns ratitos que há muito desejavam uma noite assim. E não me refiro apenas aos nossos inimigos...

    Numa noite de Inverno, mais um obstáculo que era preciso ultrapassar, Sérgio Conceição para essa tarefa hercúlea, escalou de início, José Sá, Ricardo, Reyes, Marcano e Alex Telles, Herrera, Sérgio Oliveira e Otávio, Marega, Soares e Brahimi e os Dragões foram à luta e o jogo começou com o F.C.Porto a fazer o que se esperava: equipa organizada, compacta, procurando não dar espaços, com bola saídas rápidas para o ataque. Foram até os portistas os primeiros a criar perigo, aos 10 minutos, Otávio esteve perto do golo. Continuou assim, quando praticamente do nada e num duplo erro de José Sá - primeiro a repor a bola, depois deixando entrar uma bola fácil -, o Liverpool adiantou-se. Não foi justo, mas na Champions e frente a estas equipas, erras és penalizado, voltas a errar, voltas a ser. E assim, sem ter feito nada de relevante, nem estar a exibir-se a alto nível, a equipa de Klopp chegou a uma vantagem de dois golos. Tentaram reagir os azuis e brancos, mas os ingleses não permitiram grandes veleidades, apenas por uma vez e por Soares, o F.C.Porto esteve muito perto do golo. O intervalo chegou com os reds com uma vantagem confortável, mas injusta. Sendo melhor, o Liverpool não foi tão melhor que justificasse essa vantagem..

    A perder por 2-0, o treinador do F.C.Porto deixou Otávio nas cabines, fez entrar Corona e a segunda-parte começou com os Dragões a tentarem reentrar no jogo. E é verdade que parecia que iam conseguir. Mas uma perda de bola no ataque, deu lugar a um rápido contra-ataque do Liverpool e golo. Com uma vantagem de três golos e praticamente tudo decidido, o restante tempo até ao fim foi  muito parecido. Porto a tentar, Liverpool a marcar, sempre através dos suspeitos do costume e em rápidas saídas para o ataque e aproveitando todas as oportunidades, numa eficácia que tem tudo a ver com a qualidade e o talento de três avançados, craques do melhor que há no futebol mundial. Firmino fez o quarto e novamente Mané fez o quinto, ele que tinha feito o primeiro e o terceiro, Salah tinha marcado o segundo.
    E não há mais nada a dizer, quando tudo funciona mal, não vale a pena estar aqui a bater no ceguinho.

    Uma última palavra para o público: teve um comportamento exemplar, mesmo em circunstâncias  muito difíceis.