SINAIS PREOCUPANTES. 24/09/2018 12:02 Bibó Porto Carago


    É evidente que os sinais demonstrados pela equipa nestes quase 2 meses de competição não são os mais animadores, creio mesmo que é caso para dizer que à medida que os jogos se vão desenrolando, a coisa vai tomando uma aparência preocupante, porque em vez de melhorar, a equipa parece piorar, demonstrando sinais de nervosismo e falta de confiança sem razão aparente.

    Obviamente não conseguimos encontrar num único fator a justificação para este início de época pouco fulgurante do FC Porto, mas parece-me evidente que neste momento há 3 peças fundamentais deste FC Porto que estão muito longe da sua melhor forma, encontrando-se em sub-rendimento, nomeadamente, Herrera que está num momento de forma terrível, falha passes a um ritmo alucinante e não surge na dinâmica ofensiva da equipa como habitual, parece claramente com a cabeça noutras paragens, compreendo e aceito que os jogadores tenham ambições de jogar em grandes equipas europeias e rechear os bolsos de milhões, mas enquanto têm contrato devem concentrar-se só e apenas no seu clube atual. Outro caso é o de Brahimi, parece que o argelino ligou novamente o “complicador”, tornando difícil aquilo que é simples. Espera-se que o internacional argelino volte rapidamente ao brilhante desempenho que apresentou por exemplo na época passada. Finalmente, o caso mais específico de entre os 3 que apontei é o de Marega. O maliano teve a braços com um processo disciplinar que apenas lhe permitiu entrar em competição à 4ª jornada e isto pesou obviamente na forma em que o jogador se encontra. Ainda assim, mesmo muito longe da sua forma, Marega já marcou um golo e participou ativamente em jogadas que deram outros golos, nomeadamente o 1º golo em Setúbal.

    Como nem tudo são más notícias, é com muito agrado que vejo o desempenho de Otávio, um jogador fundamental nos últimos jogos, não só pelo que marca mas pelo que joga, bem como a entrada de Militão, um jogador com excelente potencial e que já demonstra um nível de maturidade muito bom para a idade que tem. Que tudo o que se diz e espera dele seja mesmo uma realidade e tenhamos aqui um belo central, na boa velha tradição de excelentes centrais que o FC Porto nos habituou. Resta-nos esperar melhorias no desempenho da equipa, sendo que as vitórias ajudam e muito, pois trabalhar em cima de vitórias, mesmo que se esteja a jogar pouco, é sempre muito mais tranquilizador do que trabalhar em cima de maus resultados. O problema é que a jogar pouco durante muito mais tempo, e sobretudo quando o nível de dificuldade se elevar, os problemas surgiram com mais intensidade, os maus resultados serão uma realidade inevitável que poderão mesmo colocar em causa os principais objetivos da época. Ao arrepio de algumas ideias que considero peregrinas, continuo a confiar plenamente em Sérgio Conceição para reverter o desempenho menos bom que a equipa tem tido, se há lugar onde a competência é uma certeza absoluta no FC Porto, é no lugar do treinador!

    PS: Um departamento de comunicação que tem a desfaçatez de dizer que “uma parede branca é preta”, ou seja, que não consegue ver o que toda a gente viu, nomeadamente que o jogador do Setúbal ajeitou a bola com a mão antes de marcar um golo bem anulado, é a prova mais que provada (como se já não bastassem as que existiam!) que a sua credibilidade está abaixo de zero. Acho que as coisas já atingiram um nível de ridículo, com erros de português pelo meio e tudo, que sinceramente já extravasam aquilo que é minimamente aceitável.

    Vitória F.C. 0 - F.C.Porto 2. Com o violino no armário e champanhe no congelador, valeu bombo e o tintol 23/09/2018 15:14 Dragão até à Morte


    Apresentando a mesma equipa de Gelsenkirchen, Casillas, Maxi, Felipe, Militão e Alex Telles, Danilo, Herrera e Otávio, Marega, Aboubakar e Brahimi, o F.C.Porto enfrentou um Vitória F.C. determinado, coeso e muito lutador, conseguiu o mais importante, a vitória, mas teve muitas dificuldades em se impor. Venceu, pode dizer-se com justiça, mas voltou a deixar muito a desejar em termos exibicionais.
    Há a atenuante do jogo da Alemanha que foi muito trabalhado e por isso  desgastante - daí a pergunta, porquê o mesmo onze, quando alguns jogadores, mais à frente falarei deles, estão em baixo? -, mas pede-se mais à equipa de Sérgio Conceição. Ontem voltou a por-se a jeito, valeu Casillas a segurar a vantagem, num jogo com poucos motivos de interesse.
    O jogo no que toca à exibição do F.C.Porto, fez-me lembrar o das Aves, também treinador por Lito Vidigal, na época passada. Ainda bem que desta vez, ao contrário do que tinha acontecido nessa altura, os três pontos viajaram para a Invicta.

    Não há muito mais para dizer, raramente o F.C.Porto conseguiu ser dominador, superiorizar-se aos sadinos, estar tranquilo no jogo. Com a equipa de Lito Vidigal, sem bola, a recuar toda para o seu meio-campo, faltou dinâmica, ritmo alto, pressão, pensar e executar rápido, encontrar as melhores opções e soluções para desmontar a teia dos setubalenses. Perante tanta falta de inspiração, como é óbvio, o Vitória acreditou sempre, esteve sempre dentro do jogo, ameaçou vezes de mais, só baixou os braços, praticamente desistiu, quando ficou com dois golos de desvantagem.
    Apenas acrescentar que o treinador do F.C.Porto mexeu bem, tirou Otávio - embora o brasileiro não estivesse a ser o pior médio... - meteu Sérgio Oliveira e foi feliz. Embora as melhorias não fossem notórias e os portistas ainda sofressem, Sérgio falhou um golo cantado, mas depois ao fazer o segundo golo tranquilizou a equipa e garantiu a vitória.

    Notas finais:
    Um dos problemas do F.C.Porto tem a ver com o facto de três jogadores que são muito importantes no rendimento da equipa estarem aquém do rendimento desejável, concretamente Alex Telles, Herrera e Brahimi. E se Jorge, a alternativa a Alex, ainda precisa de mais andamento, Corona, Sérgio Oliveira e Óliver podem ser opções aos outros citados.

    Dois lances polémicos - no Jogo até falam de um penalty por marcar sobre Marega, mas dou isso de barato -, um, falta contra o F.C.Porto e amarelo a Felipe - então o Felipe, com o Militão em cima da jogada, devia ser expulso, ó Dudu? Ah, só viste o Felipe e o Danilo, apagaste o Militão da imagem? E o Marega escorregou? -, outro, golo bem invalidado ao Vitória, o jogador que faz golo ajeitou a bola com o braço.
    Já o twitte do Toupeiral é apenas para fazer ruído, manter os comedores de gelados com a testa, mobilizados.

    Uma fonte do Benfica, é assim que a prostituição jornalística apresenta as queixas da SAD acusada de 30 crimes - mais o que virá... Já tinha sido essa a fonte que José Calado e Rui Pedro Braz usaram para dizerem exactamente a mesma coisa sobre a crença de Paulo Gonçalves. Ontem os chiqueiros usaram a mesma informação para falarem do jogo de Setúbal e, pasme-se, para criticarem a nomeação de Rui Pinheiro - filho de Joaquim Pinheiro dirigente portista - para a Oliveirense - F.C.Porto B. Em Aveiro a segunda equipa do F.C.Porto foi espoliada de dois por um erro grosseiro da arbitragem e esta escumalha está a falar do delegado da Liga? É preciso ter uma grande lata!

    Um, mais um imenso mar azul no Bonfim e que nunca se cansou de apoiar.
    OK, o que importa em primeiro lugar são os três pontos, mas quem s emobiliza desta maneira e apoia sem desfalecimentos, merecia ver melhores exibições da sua equipa e não sofrer tanto.

    Olá Futebol, chamo-me FC Porto e gostava de te conhecer 22/09/2018 22:38 Reflexão Portista

    Dizem as lendas urbanas que treinadores tão diferentes mas tão triunfais como Helenio Herrera e Brian Clough tinham o hábito, antes dos jogos, no balneário, de reunir a equipa em circulo (onde é que eu já vi isto) e fazê-los tocar a bola com as mãos, acariciá-la, lembrando-lhes que aquela, a bola, tinha de ser querida, cuidada, conservada e utilizada para lograr o objectivo do grupo, a vitória. A bola, ah, essa entidade esférica misteriosa e de tons quase mitológicos, que alguns treinadores acham que deve permanecer nos pés dos seus jogadores o máximo de tempo possível, recuperando um velho refrão do futebol de rua que dizia sempre, "a bola corre mais que os pés" ou então "se eu a tenho, tu não a tens". Dizia Quique Setien, treinador do Bétis, que a filosofia de jogo que aplicava era aquela que gostava quando era miudo. E quando se é miudo o que se quer é ter a bola nos pés. Tocar, passar, driblar, chutar. Não é correr como um desalmado, não é pontapear a bola para a frente...é outra coisa. Costumam ter um nome para isso: Futebol.

    O FC Porto de 2018/19 tem sido até agora uma caricatura. De si próprio e de tudo o resto.
    De si mesmo porque, mantendo grande parte das peças chave - saiu um central, entraram dois melhores (Eder e Diogo), e saiu um lateral importante na manobra colectiva - o mesmo treinador e o mesmo espirito de grupo (a rodinha ainda lá está), desapareceu tudo o resto. Tudo, bem, tudo não. Continuasse a mandar pontapé para a frente á menor oportunidade (o que, quando eu jogava com o Valadares se dizia, prosaicamente, "bota-la nas couves") para que o Marega correr, tropeçar, ganhar a segunda bola, descolocar a equipa com a manobra e, tantas vezes, favorecer transições rivais que apanham os laterais a extremos, os interiores a avançados, os centrais sozinhos e Iker a benzer-se a si próprio. Isso mantém-se. O que desapareceu foi tudo o resto. O FC Porto 17/18 tinha registos defensivos impecáveis. Era uma máquina atacante trituradora. Não era uma equipa perfeita. A defesa também se desorganizava (quantas vezes não viamos Telles e Ricardo perdidos na frente sem ninguém a cobrir os espaços?) mas a pressão alta da equipa, a omnipresença de Danilo (a regressar ainda de lesões) e Herrera (já com a cabeça no contrato milionário que seguramente o espera longe de aqui) permitiam a rápida recuperação do esférico. Por outro lado atacava-se muito mais. Era atabalhoado, era. Era preciso rematar quinze vezes para marcar um golo? Também. Muitos centros morriam na pequena área porque não temos um avançado de nivel a condizer com a história do clube? Sim. Mas entre Brahimi em excelente forma (o apagão foi lá para Fevereiro) e a conexão Aboubakar (desaparecido em combate desde a última lesão) e Marega resolviam. Eramos uma equipa pouco atractiva para quem acha que o futebol significa jogar com a bola e não apenas correr, gritar e suar mais que o rival, mas eramos uma equipa eficaz, tremendamente eficaz, que sabia compensar as deficiências técnicas com a atitude.
    As deficiências, essas, estão lá todas e vão a mais. Maxi não pode fazer de Ricardo e no entanto é ele que joga. Da mesma forma que no ano passado ninguém podia fazer de Marega e o treinador em vez de mudar o modelo o que tentou foi procurar o Marega II em Hernani, Corona e no próprio Ricardo. No meio campo há pulmão mas não há descernimento e Oliver (e agora Bazoer, que tal como Jorge tem experiência em competições europeias e vá-se lá saber porquê anda a jogar na equipa B) continuam a ser párias, em detrimento dos Oliveira e Herreras, jogadores para outra coisa que não seja pautar um ritmo de jogo. Porque o Porto campeão 17/18 nunca soube pautar o jogo porque nunca precisava de o fazer. Á meia hora já tinha o resultado feito. A versão de este ano como não é capaz nem de criar perigo real, quanto mais marcar, depois também não sabe gerir o jogo de outra forma, mais pensada, para vencer com astúcia, com a bola o que não conseguiu com o grito e com o suor. E isso é responsabilidade absoluta do treinador.



    Sérgio Conceição foi um dos grandes responsáveis do titulo conquistado. Não há dúvidas disso.
    Também nunca houve dúvidas sobre o seu perfil, sobre a forma como prefere um jogo vertical e menos pensado, um jogo mais físico e "másculo" a uma abordagem mais técnica e organizada. É parte do seu trademark e funcionou-lhe bem sobretudo porque na época passada era o perfil de jogadores que tinha para utilizar (salvo Oliver, sempre o patinho feio). Ninguém lhe podia criticar pegar em párias e remendos, dispensados e eternos emprestados e fazer deles um bloco ganhador. Havia também um aspecto motivacional fundamental, o de impedir o Penta corrupto do Benfica e o de voltar aos títulos. O objectivo foi logrado e é necessário criar novas metas. Competir na Europa não faz sentido porque o jogo com o Liverpool deixou claro que nem o FC Porto (nem o futebol português em geral) está para esses voos e mais a jogar assim. O que se pedia então? Provavelmente uma de duas: ou melhorar o sistema que já existia, sendo a equipa mais eficaz na frente e mais pressionante ou mudar o estilo de jogo, pelo menos de tempos a tempos.
    Ao contrário do que podia parecer o plantel parecia ter mais opções para isso, sobretudo com a chegada de Bazoer (futebolista com excelente saída de bola) e a perda de um lateral como Ricardo e, sobretudo, pela possível saída de Marega. Teria sido o negócio perfeito - jogador limitado a todos os niveis faz época de sonho, aparece oferta, clube vende, todos felizes. Não foi. Marega ficou e com isso bloqueou a mudança do paradigma. Ou talvez não olhando para Marius, olhando para André Pereira e olhando para a evolução de Otávio num jogador cada vez mais ao gosto do treinador e distante da sua origem. Isso e vendo como o desenho não muda e a um lateral de 34 anos se pede que faça o que fazia um de 24, que um médio que se recusa a renovar se pede que deixe o corpo e alma com critério no passe frente ao mesmo jogador que tinha tudo para provar ao mundo e a ele próprio. Que insiste num Sérgio Oliveira que é, a todos os titulos, um excelente jogador de plantel mas, provavelmente, o pior dos médios centros disponiveis. E que continua a insistir numa fórmula que precisa de homens golo quando, precisamente, o plantel carece de um goleador nato, situação reforçada pela lesão de Soares. Tudo isso é entendivel para qualquer adepto e talvez por isso o facto de se repetir o 11, o modelo, a péssima qualidade de jogo, a dinâmica, a ausência de melhorias, de novas ideias, novos "truques" semana após semana, deixe antever um péssimo cenário. Afinal de contas o FC Porto apenas jogou com equipas muito inferiores - e já perdeu pontos no campeonato - e na Champions League, apesar da sorte do grupo em disputa, apenas defrontou uma das piores equipas da Bundesliga nesta época. Provas de fogo? Zero.

    No fundo esta equipa continua a ser o espelho do seu treinador. O problema é que este não só não evoluiu com o êxito. Parece ter-se estancado sobre si mesmo. Nervoso, intranquilo, não transmite aquela aura que um título deveria otorgar, esse toque de varinha que até a um Vitor Pereira, tão criticado e marcado pela injusta sombra de "adjunto", conseguiu ter no ano do "Tri". Conceição comporta-se e actua como se fosse um "desperado" quando devia partir dele a ideia de jogo e a harmonia de gestão de grupo que se exige a um FC Porto campeão rumo ao Bi. Esse é o sinal mais preocupante. O de repetir nos mesmos erros e aplicar-se um discurso de melhoria continua que ninguém vê. O de abdicar permanentemente dos que tratam o esférico por tu para defender um ADN de mais força, mais suor, mais grito e pouco ou nenhum futebol. Não existe auto-critica (não só no discurso mas na prática, em campo), não existe uma clara vontade de fazer diferente e, pior que tudo, não parece que se esteja a fazer o melhor dentro do que já existia. Os pontos vão-se somando (menos mal) mas as sensações vão piorando.

    E apesar da rodinha no fim dos jogos (para a galeria) a bola, nesses momentos, não está lá. Não está á vista. Ninguém quer saber dela. Ninguém a está a acariciar, a mimá-la, a pensar em ficar com ela largos minutos enquanto os outros correm com a lingua de fora. Ninguém está a pensar em passá-la bem, sem errar. A controlá-la bem quando chega aos pés sem tropeçar ou precisar de três toques onde um chegava. Ninguém está a pensar em sair a jogar com calma em vez de a chutar para longe, quase com despeito, sem medo a perdê-la em pés inimigos. Não se vê bola quando se vêm as camisolas suadas e aos gritos azuis e brancas. Não se vê a bola e quando não se vê a bola raramente se pode ver Futebol. E era bom que esse Futebol fosse parte desta viagem. Que encontrasse numa esquina qualquer de um relvado perdido no meio do nada com o FC Porto e trocassem um sorriso cumplice, um olhar compenetrado e que, para quebrar o gelo, o dragão azul e branco, determinado, lhe dissesse ao ouvido: "Olá Futebol, chamo-me FC Porto e gostava de te conhecer".

    Não consigo imaginar melhor história de amor.

    O BONFIM E A BOA SORTE. 22/09/2018 19:00 Bibó Porto Carago


    SETÚBAL-FC PORTO, 0-2

    O FC Porto mostrou esta noite em terras do Sado que ainda está longe da performance demonstrada na época passada. Presentemente, a equipa de Sérgio Conceição não é, seguramente, uma equipa consistente, capaz de fazer exibições convincentes e mostrar em campo que, com maior ou menor dificuldade, a vitória acabará por surgir com naturalidade.

    Há que dizer as coisas. Este grupo de trabalho tem que trabalhar muito mais para não ficar à mercê de equipas como o V. Setúbal que só não conseguiu pontos frente aos campeões nacionais devido a algum desacerto e, se calhar, à falta de sorte. O 0-2 final não espelha o que se passou no relvado, de forma nenhuma.

    Viu-se um FC Porto algo trapalhão na fase de construção ofensiva, com alguns passes comprometedores que, perante equipas mais afoitas e de maior qualidade, trará grandes dissabores aos Dragões. Não se pode falhar passes como foi o caso de Felipe que, por mais de que uma vez, cometeu erros de palmatória. Depois, a produção ofensiva dos azuis-e-brancos esteve muito abaixo do normal. Os jogadores mostraram muita lentidão no processo ofensivo e contra-ofensivo, permitindo que os sadinos tivessem sempre tempo para se reposicionarem em campo.


    Talvez o desgaste provocado pela Champions League, esta semana, possa explicar parte da exibição do FC Porto. Mas não explica tudo. Se realmente, os jogadores do FC Porto se apresentam, nesta altura da época, num patamar inferior ao exigível, se calhar Sérgio Conceição deveria pensar melhor antes de repetir o mesmo onze. O jogo com o Schalke 04 foi um jogo de alta rotação, com níveis de exigência altíssimos e, talvez por isso, alguma rotatividade no jogo desta noite teria sido mais sensato.

    A equipa do V. Setúbal foi uma equipa bem organizada defensivamente, com muitos homens na sua rectaguarda. Lito Vidigal teve a preocupação de preparar a sua equipa para aproveitar as falhas defensivas dos Dragões e tentar contra-golpes com jogadores rápidos na frente de ataque.

    No entanto, o FC Porto continua a ser feliz no Bonfim há mais de três décadas. Este estádio continua a ser talismã para os azuis-e-brancos. O FC Porto parece que joga em casa sempre que se desloca ao Sado, apesar das condições do relvado. Aos 17 minutos, Marega, lançado em profundidade, cruzou, Maxi dividiu a bola com um defensor contrário dentro da grande área e a bola sobrou para Aboubakar que só teve que rematar para o fundo das malhas.

    O mais complicado parecia estar ultrapassado, mas o FC Porto colocou-se a jeito. Primeiro com o desacerto defensivo que já focámos nesta crónica e depois porque tal postura permitiu à equipa da casa ganhar alguma confiança para tentar o golo do empate.


    Cinco minutos depois do golo inaugural, Hildeberto aproveitou uma perda de bola da equipa portista a meio-campo, escapou-se para a área e terá sido tocado por Felipe à entrada da área. Uma falta e cartão avermelhado terão ficado por mostrar ao central portista. O jogo prosseguiu, o árbitro mandou jogar e o VAR não assinalou nada.

    A etapa complementar foi mais sofrida para a equipa do FC Porto. Muito lentos, sem ideias e incapazes de impor autoridade dentro das quatro linhas, os jogadores azuis-e-brancos viram os sadinos colocar uma bola dentro das suas redes logo a abrir a segunda parte. Num lance conduzido pela esquerda, a bola foi colocada na grande área e Valdu Té introduziu a bola na baliza de Iker Casillas.

    Mas antes tinha sido detectado o controlo da bola com o braço por parte do avançado do V. Setúbal. O árbitro assinalou o golo, mas o VAR actuou de seguida. Recorrendo às imagens do jogo, o juiz da partida anulou o golo à equipa da casa.

    O V. Setúbal continuou a carregar e a impor velocidade no jogo. O FC Porto era sujeito a um desgaste desnecessário e isso impedia os Dragões de jogar com cabeça e clarividência. Sérgio Conceição via o meio-campo perder o controlo e decidiu retirar Otávio para lançar Sérgio Oliveira. O jogo ficou mais equilibrado, mais disputado a meio-campo e os sadinos passaram a não ter tanta facilidade em chegar à baliza de Casillas.


    Aboubakar deu o lugar a André Pereira e o miúdo aproveitou para entrar e ajudar a decidir o jogo. Aos 78 minutos, numa jogada individual a meio do meio-campo contrário, o jovem avançado portista foi derrubado por Vasco Fernandes. Na conversão do livre, Sérgio Oliveira rematou fortíssimo, mas na abordagem ao lance, o Guarda-Redes Joel Pereira ficou mal na fotografia.

    O jogo ficava praticamente decidido com o 2-0 e a sorte do jogo sorria à equipa portista. Sérgio Conceição refrescou a ala esquerda com a saída de Brahimi e a entrada de Corona. E quase fazia o pleno, em termos de aproveitamento nas substituições. Depois de André Pereira e Sérgio Oliveira terem estado nas decisões do segundo golo, Corona desperdiçaria uma clamorosa oportunidade para fazer o 3-0, nos minutos finais.

    O jogo acabaria pouco depois. Os destaques vão para a fraca produção azul-e-branca e para a sua inconsistência defensiva. O regresso de Aboubakar aos golos e estrelinha do Dragão são as restantes notas de registo na noite do Bonfim.

    O FC Porto vai regressar à competição, na próxima Sexta-feira, no Estádio do Dragão, com a recepção ao Tondela a contar para a 6ª Jornada da Liga NOS. Jogo que antecede a 2ª Jornada da Champions League, diante do Galatasaray, também a realizar no seu reduto.




    DECLARAÇÕES

    Sérgio Conceição: "Era importante dar esta demonstração de força"

    O chip
    “Era um jogo importante para nós, não só pelas dificuldades que sabíamos que íamos encontrar, mas também pelo facto de chegarmos aqui depois de um jogo da Champions, numa situação em que é sempre difícil mudar o chip. No ano passado, por exemplo, empatámos da Vila das Aves depois do Besiktas e acabámos por perder em Paços de Ferreira depois do Liverpool, e era importante dar esta demonstração de força. A vitória é completamente justa.”

    O relvado
    “A qualidade exibicional não foi brilhante, porque o Vitória também se preocupou muito em condicionar o nosso jogo – e quando falo em condicionar, falo da estrutura da equipa que apresentou de início e do relvado, em que era muito difícil dominar a bola e fazê-la circular. Acho inconcebível o estado do relvado. Fica difícil para uma equipa que tem de assumir o jogo, jogar com qualidade e procurar chegar à baliza adversária. Estamos habituados a ter todo o tipo de dificuldades. As equipas fazem de tudo para roubar pontos ao campeão nacional e nós temos que fazer de tudo para tentar contrariar isso. É muito difícil jogar aqui, contra uma equipa que também tem um impacto físico importante.”


    Mais golos
    “Poderíamos ter feito mais dois ou três golos, mas isso seria exagerado também para aquilo que fez o Vitória, que fez um jogo competente, tentou defender-se ao máximo, abordou o jogo com três centrais, numa estrutura um pouco diferente da habitual, mas é como eu digo, nós é que temos de ser capazes de ultrapassar essas dificuldades.”

    Uma equipa muito capaz
    “Nós, treinadores, andámos sempre à procura daquilo em que podemos melhorar. Este é o processo normal de evolução da equipa. Sei que tenho uma equipa muito competitiva, muito capaz e que não era fácil jogar contra dez jogadores em cima da grande área, em especial no primeiro tempo. Soubemos ter alguma paciência, tentando entrar por fora, por dentro, tentando criar dificuldades no último terço. Não foi um jogo brilhante, mas a vitória é completamente justa.”



    RESUMO DO JOGO

    Continuam as notícias sobre Herrera e o capitão não diz nada, não clarifica? 21/09/2018 15:54 Dragão até à Morte


    Declaração de interesses:
    Gosto muito de Héctor Miguel Herrera, do homem, do profissional e do jogador, mas...

    Quase todos os dias saem notícias sobre o Herrera. Já foi o Tottenham, o Inter, depois o Real, e sobre a Roma, então, nem é bom falar, com a notícia a indicar que o mexicano até já deu o sim aos italianos. Para além disso, também já foi notícia que Herrera rejeitou quatro propostas de renovação apresentadas pelo F.C.Porto, hoje o destaque é que o actual capitão do F.C.Porto pede 3 milhões, líquidos, o que significa um encargo de cerca de 6 milhões. Assim, importa dizer o seguinte:
    Não sei se estas notícias são verdadeiras, mas como não acredito que Herrera não leia jornais, é importante que o capitão do F.C.Porto diga qualquer coisa, clarifique. Este diz-se diz-se tem que acabar, para bem dele e do clube, não podemos andar nisto permanentemente. É do capitão do F.C.Porto que estamos a falar. Não duvido do comprometimento de Herrera, mas o homem que entra em campo com a braçadeira de capitão do F.C.Porto, por exemplo, não admite sair em Janeiro, mas admite sair a custo zero? Não acha que se surge uma notícia que o dá como já tendo acordo com a Roma, a deve desmentir peremptoriamente?

    E importa dizer mais alguma coisa:
    Então, pelo menos temos uma proposta de 20 milhões de euros por Herrera, não temos garantia de que queira continuar por valores dentro das nossas possibilidades e ficamos com ele correndo o risco que saia a custo zero? Porque Herrera é considerado um jogador importante para o treinador? Que Sérgio Conceição queira muito ter o Herrera, OK, compreende-se, mas isso é novidade? Alguma vez algum treinador ficou contente por perder jogadores nucleares na equipa? Não. Mas quantos craques, daqueles que faziam a diferença, saíram do F.C.Porto? Dezenas e a vida continuou. Agora, também é verdade, quando alguém saía o seu substituto ou já cá estava ou chegava passado poucos dias. E normalmente eram jogadores, pelo menos, de nível semelhante.

    Para terminar, duas notas:
    O F.C.Porto nunca ficou refém de nenhum treinador - por mais currículo e apoio e carinho que tivesse junto dos adeptos -, nem de nenhum jogador, o F.C.Porto e esse era um motivo de orgulho, nunca foi dirigido de fora para dentro, quem dirige nunca tomou decisões simpáticas por receio de reacções negativas dos adeptos.

    Independentemente de todas as razões, repito:
    Se Herrera sair a custo zero é um crime de lesa F.C.Porto.

    LUSA MESQUINHEZ. 20/09/2018 17:43 Bibó Porto Carago


    Na passada sexta, levei pela primeira vez a minha filha ao Dragão. A beleza e grandiosidade do estádio, as bandeiras no relvado, a massa humana pintando orgulhosamente de azul as bancadas do nosso palco de sonhos ao som do hino... Ambiente bonito. O ideal para moldar as recordações de uma criança.

    O jogo começa, pardacento, com fogachos azuis e brancos, insuficientes para aquecer a brisa fresca de uma noite de fim de verão. No relvado, a bola move-se, eventualmente, nos intervalos em que algum jogador vestido de cinzento não se encontra inerte no chão. Uma boa escolha de equipamento. Cinzento, como que envergonhado das suas cores originais. Cinzenta como a mentalidade desportiva que trouxeram. Mesquinha, tacanha, reles. Os minutos continuam a correr mais do que a bola. Alguém com uma camisola garrida não parece muito importado com isso. Nem com isso, nem com o cumprimento de simples regras deste desporto, como infrações em locais proibidos. Talvez o som ensurdecedor dos assobios que enchiam a noite, lhe afagasse a virilidade. Quem sabe. A equipa de azul e branco mostra-se agora mais afoita, desperta. Com mais coração do que arte, a tão desejada união é alcançada. A da bola com a rede. De energia renovada e maleitas curadas, a equipa cinzenta tem um assomo de coragem em olhar o adversário de frente. Talvez comovido, o deus da fortuna convence o parceiro deus da competência a fechar os olhos por breves instantes. Este, submisso, acata o pedido. Empate. Sem nada que o justificasse. Daí até ao final, uma feira medieval instalou-se dentro das quatro linhas, com a trupe cinzenta a evocar os picos das pestes do séc. XIV, tal era a facilidade com que a brisa nocturna fazia tombar fortes atletas. Um final épico ainda foi festejado, contudo não fazia parte do argumento.

    Sim. Esta foi a estreia da minha filha no Dragão.
    Um suposto espectáculo sabotado por duas das três equipas em campo

    Pasmo-me quando vejo determinados agentes desportivos preocupados com a saúde do futebol nacional. Não são as investigações e denuncias de alegados crimes que matam o futebol. Veja-se o exemplo italiano. O papel da justiça é punir criminosos, seja no futebol, política ou outra área qualquer.

    O que mata o futebol em Portugal, é esta atitude mesquinha, este subterfúgio de utilizar expedientes rascas, este total desrespeito por adversários e espectadores. Não me refiro à perda de tempo, quando a 5 minutos do fim, uma equipa vence outra pela margem mínima, numa final, ou num jogo decisivo. Essa ansiedade/medo é humana e compreensível. Contudo, não foi isso que vimos sexta-feira, ou em inúmeras vezes em Portugal. Por cá, os jogadores vêm incutidos do balneário para perder tempo de qualquer maneira. Para enervar o adversário. Para simular e mentir. Desde o primeiro minuto. Tudo isto a coberto dos energúmenos da nossa comunicação social que pactuam com este tipo de jogo sujo.

    Dizer que os pobrezinhos dos pequeninos não têm outras armas, é pura falácia. Em todos os campeonatos, existem sempre equipas fracas. Contudo, seria inimaginável ver-se em Inglaterra, Alemanha, Espanha ou França o tipo de comportamento que vemos nos nossos relvados. É uma questão de atitude de alguns (demasiados) treinadores lusos, infelizmente baseada numa certa forma de ser de muitas franjas da população lusitana.

    Sinceramente, tinha curiosidade de saber se Daniel Ramos se orgulharia que os seus filhos presenciassem a atitude rasca que o pai incutiu na sua equipa na passada sexta. Fica a questão!

    Cumprimentos Portistas

    PS. Por falar em equipamentos cinzentos, não sou nada fã do nosso terceiro equipamento. Haveriam opções bem melhores.

    Venham mais cinco 20/09/2018 15:13 Lá em casa mando eu


    James Rodriguez é um futebolista colombiano de 27 anos que joga atualmente no Bayern de Munique. Ontem, em pleno Estádio da Luz, além de uma boa exibição e de uma assistência para golo, fez um gesto ao público: levantou a mão e exibiu cinco dedos enquanto era substituído debaixo de um coro de assobios. Mais tarde, confirmou o que já esperávamos: fê-lo para lembrar aquele dia em que o Benfica levou 5-0 do FCPorto no Estádio do Dragão. Podia tê-lo feito em alusão ao falhado penta, ou ainda aos aspersores avariados daquele mesmo local, mas afinal foi bastante específico e não andou para aí a gozar com tudo ao mesmo tempo. E ainda justificou: porque é portista.






    James esteve três anos connosco. Foi tricampeão, ganhou uma Liga Europa e cresceu muito como jogador de classe mundial (em plantéis que hoje nos parecem tão distantes, de tanta qualidade que tinham), mas também viveu os melhores anos desta rivalidade. Não foram só os 5-0. James foi campeão na Luz e brincou com as luzes apagadas e o sistema de rega, James festejou o golo do Kelvin aos 92, James lembra-se daquela reviravolta para a Taça. Se James se tivesse esquecido do que é ser do FCPorto, seria estranho. Mas, se James se tivesse esquecido - ali, em plena Luz, ao ouvir a reação que ainda lhes provoca - do que significou ganhar tanto ao Benfica, então seria mesmo doido.

    O que eu vejo naquele gesto é muito simples: rivalidade. FCPorto e Benfica são rivais, todos os dias, em todas as competições, e devem sê-lo para todos os profissionais que entendam estes clubes. E, já agora, para todos os adeptos dignos disso mesmo. Não se trata de desrespeitar o futebol. Trata-se, sim, de senti-lo verdadeiramente. Ao levantar aquela mão, James deu-nos uns segundos de pureza no meio de uma competição em que os grandes estão cada vez mais enormes, em que FCPorto e Benfica têm cada vez menos hipóteses, em que os sentimentos dos adeptos pouco importam quando comparados aos interesses dos clientes. James provocou, mas James, sobretudo, fez-nos (e fê-los) sentir vivos.

    Mas, claro, entendo que do outro lado não tenham gostado. O M., pessoa mais calma do mundo quando ninguém está a provocar o Benfica, tornou-se um hooligan. E eu percebo isso. Se fosse comigo, com o meu clube, ficaria igual. E é aqui que isto se confunde tudo. Quando entra a brigada da moral e dos bons costumes e nos separa. Porque só um ex-jogador do FCPorto seria capaz de fazer aquilo. Porque só um adepto do Benfica seria capaz de querer bater-lhe. Epa, parem com isso, a sério. Não estraguem a beleza daquele momento. Se fosse ao contrário, não só o M. ficaria orgulhoso com o ex-jogador do Benfica, como eu viraria uma hooligan. Sabem porquê? Porque somos rivais. E vivemos muito bem com isso.

    O que eu não percebo é esta necessidade de “limpeza” no futebol. Agora, de repente, parece que temos de ser todos amigos, dar as mãos e cantar uma canção sobre a paz mundial durante um clássico. Parece que o grau de satisfação do adepto deve medir-se apenas na quantidade de Coca-Colas e pipocas disponíveis e nunca em vitórias nossas e derrotas dos outros. Parece que pagamos bilhete para apreciar aquele movimento do Lewandowski no primeiro golo do Bayern, mesmo que seja contra nós. Parece que é normal levantarmo-nos para aplaudir um golo do adversário, só porque é bonito (no caso de Renato Sanches, até posso tentar compreender por ser um miúdo da casa, porque o jogo já estava perdido e porque as palmas seriam mais para o pedido de desculpa. Mas recordem-se do que aconteceu após o golo de Cristiano Ronaldo em Turim no ano passado). Parece que nos querem, a todos os adeptos, iguais, certinhos, respeitadores, bons pagadores de bilhetes, a bater palmas ou a cantar para ficar bonito na televisão, mas sempre sem interferir com o espetáculo que nos querem vender. Parece que nos tratam como clientes. E parece que muitos gostam disso.

    Quem não percebe o quão genuíno é aquele gesto de James só pode viver num de dois mundos: ou é incapaz de perceber a incoerência que seria aquilo acontecer ao contrário e ter a reação exatamente oposta, ou é precisamente um produto desta nova mentalidade. Quanto aos primeiros, nunca fui de perder tempo com esses. Quanto aos segundos, espero que ainda possamos ir a tempo de salvar alguns. Porque pode ser só ignorância. Se, por exemplo, acharem que são adeptos de futebol, mas nunca foram ver um Benfica-FCPorto ou um FCPorto-Benfica para o lado dos visitantes, se nunca foram insultados ou insultaram só por estarem de um lado da bancada, se nunca festejaram um golo com ar de grunho para aquele desconhecido que está do outro lado da grade com outra camisola, se nunca chegaram ao trabalho numa segunda-feira e foram gozados por um rival, bem, para mim falta-vos alguma coisa. E não falo de violência, falo sempre de rivalidade. Falta-vos viver isso, perceber isso, sentir isso.

    E quando, numa quarta-feira à noite qualquer, num jogo da Liga dos Campeões em que nem está a vossa equipa, um ex-jogador vosso lembrar aos adeptos do vosso clube rival que um dia já lhes espetámos 5-0 e foi incrível, então vocês vão perceber rapidamente o que está ali em causa. Não é uma atitude pequenina, não é um desrespeito ao futebol. É provocador, porque nos provoca emoções. Não usa palavras ou gestos feios, mas desperta memórias negativas. Não bate ou maltrata alguém, mas faz-lhes mal pensar naquilo. Para mim, para nós, para o nosso lado, foi uma declaração de amor. E é, a meu ver e de quem consegue apreciar um momento destes, uma ótima maneira de nos lembrar que FCPorto e Benfica são rivais ali, dentro do campo, sempre.

    Impressões de Gelsenkirchen 19/09/2018 14:30 Reflexão Portista

    Jogos do FC Porto na Alemanha (fonte: O JOGO, 18-09-2018)

    1. Nos 16 jogos anteriores disputados na Alemanha (para as competições europeias), o FC Porto tinha obtido 3 vitórias, 4 empates e 9 derrotas. Desta vez empatou. Historicamente, não pode ser considerado um mau resultado.

    2. Nas últimas cinco deslocações à Alemanha, o FC Porto tinha um saldo muito negativo - um empate e quatro derrotas.

    3. Na época passada, o FC Porto iniciou a Liga dos Campeões com uma derrota (1-3) em casa, frente a uma equipa turca (Besiktas). Este ano iniciamos a Liga dos Campeões com um empate (1-1) fora, frente a uma equipa alemã (Schalke 04). Considerando todos os aspetos referidos atrás é indiscutivelmente melhor.

    4. O Schalke 04 é um dos clubes históricos da Alemanha (é a sexta equipa com mais participações na Bundesliga) e, para as competições europeias, já tinha jogado cinco vezes, em casa, contra equipas portuguesas – FC Porto (em duas ocasiões), SL Benfica, Sporting e SC Braga. Pela primeira vez, uma equipa portuguesa não foi derrotada pelo Schalke em Gelsenkirchen. Para que conste…

    5. O Schalke 04 não é uma equipa fraquinha. É, “apenas”, o atual vice-campeão da Alemanha. Contudo, a equipa está a atravessar um péssimo momento (3 jogos, 3 derrotas na Bundesliga) e isso ontem foi notório. Estou convencido, que um FC Porto perto do nível médio da época passada teria ganho este jogo tranquilamente.

    6. A exibição foi cinzenta? Foi, mas se o Alex Telles tivesse convertido o penalti e o FC Porto ganho, queria lá saber da exibição. Como dizia o mestre Pedroto, após ganhar jogos com exibições cinzentas: “Querem ópera? Vão ao S. Carlos”.

    7. O golo do Schalke 04 é resultado de uma sucessão de erros de vários jogadores do FC Porto. O processo defensivo da equipa (não é só o quarteto defensivo) tem de melhorar. Espero que o regresso do Danilo e uma melhor integração do Militão contribuam para isso.

    8. Por falar em Éder Militão, o homem é um craque. Suspeito que irá ser vendido, brevemente, por uma pipa de massa.

    9. Dois penalties (que me pareceram claros) assinalados a favor do FC Porto, num jogo fora de casa (em casa de uma equipa dos big five!) é algo que eu nunca tinha visto. (nota: com árbitros destes no campeonato português ia ser bonito…)

    10. O Aboubakar jogou? Eu não o vi mas, segundo a ficha do jogo, esteve 60 minutos em campo.

    11. Felipe, Alex Telles, Herrera, Brahimi, Marega, são alguns dos melhores (mais influentes) jogadores do FC Porto, mas não estiveram, nem têm estado, ao nível da época passada. Contudo, mais do que analisar individualmente, foi a equipa, como um todo, que esteve longe da dinâmica, da agressividade (no bom sentido), da intensidade e da vontade indomável de ganhar que tinha na época passada. E esse tem sido o principal problema da equipa do FC Porto nesta época.

    Schalke 04 1 - F.C.Porto 1. Um empate fora de casa na Champions é sempre um resultado positivo 19/09/2018 10:59 Dragão até à Morte


    Frente a uma equipa sem grandes primores técnicos, nem uma qualidade de jogo aprimorada - pelo menos foi isso que vi e como nunca tinha visto antes este Shalke... -, mas fisicamente muito forte, com uma grande capacidade de luta e para pressionar os jogadores adversários, o F.C.Porto raramente conseguiu ter e circular a bola - teve, é verdade, mais posse, mas foi uma posse muitas vezes estéril -, permitiu um jogo físico, de choques, tão do agrado dos alemães, não conseguiu impor o seu jogo, empatou - um empate fora de casa na Champions é sempre um resultado positivo -, não merecia mais.

    O jogo começou muito disputado, equilibrado, mas sem grandes atractivos. E estava assim, quando e de um lançamento de linha lateral, uma má abordagem de Naldo, corte com a mão dentro da área, deu origem a uma penalty, oportunidade clara para a equipa de Sérgio Conceição se adiantar no marcador. Só que Alex Telles, um exímio marcador, apesar de não se poder dizer que bateu muito mal, permitiu a defesa, excelente defesa, diga-se, do guarda-redes Fahrmann, a oportunidade gorou-se. O campeão português não acusou o toque, até pareceu melhorar a qualidade de jogo, mas rapidamente tudo voltou à primeira forma, jogo muito quezilento, pouco fluído, mal jogado, muitas paragens, poucas jogadas de perigo, o intervalo chegou com as equipas empatadas, um nulo que era justo, apesar de ser o F.C.Porto que teve a melhor chance para inaugurar o marcador.

    Entrou bem e a prometer, a equipa portista, ainda não iam decorridos 5 minutos e já Felipe obrigava o guarda-redes alemão a uma defesa por instinto, o golo esteve à vista. Durou cerca de 10 minutos essa superioridade do F.C.Porto, depois o vice-campeão alemão, recuperou, equilibrou, mais na raça que em jogadas bem delineadas, causou perigo, embora o golo nunca estivesse à vista. Continuava o jogo sem grandes motivos de interesse, quando o Schalke, aproveitando uma sequência de erros portistas, chegou à vantagem sem ter feito muito para o conseguir. A perder, a equipa de Sérgio Conceição reagiu, foi à procura do golo, beneficiou de outro penalty - é um daqueles penáltis de televisão, mas há um toque no pé de Marega - e desta vez, agora por Otávio, a oportunidade não foi desaproveitada, Dragões colocaram justiça no marcador, iam decorridos 75 minutos. Após o golo ainda deu a sensação que o F.C.Porto podia vencer, mas essa sensação durou pouco, na parte final e num forcing dos alemães, o perigo rondou a baliza de Casillas, algumas atrapalhações até podiam ter tido graves consequências.

    Conclusão:
    Tudo somado, resultado justo, num mau jogo de futebol e exibição pouco conseguida da equipa do F.C.Porto.
    Foi o terceiro jogo que os Dragões disputaram frente ao Schalke em Gelsenkirchen, foi o primeiro que não perderam. Já não é mau...

    Notas finais:
    Éder Militão: vai certamente cometer erros, todos cometem, mas tem tudo para ser um craque, não corro riscos de me enganar se disser que é um grande reforço.

    Herrera: Real Madrid, Tottenham, Inter, Roma, último ano de contrato, mais que físico o problema do capitão do F.C.Porto é mental. Talvez por isso nos últimos jogos, ontem em particular, temos visto um Herrera aéreo, disparatado, a fazer coisas que julgávamos ultrapassadas.

    Danilo: depois de uma longa paragem e ter jogado pouco, ontem, atendendo ao grau de dificuldade do jogo, sem fazer um jogão, fez um excelente jogo.

    Marega: há quem diga que o maliano não está ao nível da época passada. Tendo a concordar, mas, não é pelo jogo frente ao Schalke que tiro essa conclusão. Um, Marega encostado à linha e preocupado em fechar o corredor, não é a mesma coisa. Dois, Marega a 9, depois da saída de Aboubakar, pede profundidade, não um futebol de apoios, tabelas...

    E como os últimos são os primeiros, mais uma vez os adeptos portistas estiveram em grande número e deram um grande apoio à equipa. São os únicos que já estão em grande forma.

    UM PONTO MUITO CURTO. 18/09/2018 18:00 Bibó Porto Carago


    SCHALKE 04-FC PORTO, 1-1

    O FC Porto regressou pela terceira vez ao estádio onde se sagrou campeão europeu. Os Dragões, em três duelos forasteiros com o Schalke 04, continuam sem vencer. E desta vez perderam uma oportunidade soberana de sair com os três pontos no bornal. Oportunidades não faltaram para isso e em jogo jogado os azuis-e-brancos produziram o mais que suficiente para ganhar a partida.

    A etapa inicial do encontro começou com os alemães a tentarem assumir o jogo, mas o FC Porto respondia à altura e chegava com alguma facilidade à baliza contrária. Aos 12 minutos, os Dragões têm a primeira grande oportunidade de se colocar na frente do marcador.


    Um lançamento lateral para a área, efectuado por Alex Telles, foi interrompido por Naldo com a mão esquerda. O árbitro assinalou de pronto o pontapé de penalty. Alex Telles converteu o castigo máximo com pouca convicção e o marcador manteve-se inalterável.

    Depois deste lance o jogo mudou um pouco. O Schalke 04 cresceu na partida, tornou-se mais agressivo e foi superior ao FC Porto. Os portistas sentiram a oportunidade desperdiçada e permitiram a ascensão germânica. Os Dragões foram um pouco apertados e não foram tão lúcidos nas saídas para o ataque. A falta de clarividência e alguma lentidão do meio-campo portista emperraram o jogo azul-e-branco.

    No entanto, o Schalke 04, apesar de tentar o “assalto” à baliza de Casillas, não criou oportunidades dignas de registo. O intervalo ajudou a equipa portista a recuperar alguns índices de confiança para encarar a etapa complementar.


    Numa jogada estudada, muito semelhante à que deu o golo ao FC Porto, na Turquia, na época passada, frente ao Besiktas, quase que abriu o marcador. Alex Telles simulou um livre para a grande área, colocou na direita, Otávio cruzou para entrada fulminante de Felipe. O remate do brasileiro bateu, casualmente e de uma forma extremamente feliz, na perna do Guarda-redes germânico. Segunda oportunidade de ouro para os homens de Sérgio Conceição se colocarem na liderança.

    Os alemães procuraram responder, mas o FC Porto tinha o jogo relativamente controlado. Aos 63 minutos, o FC Porto beneficiou de um pontapé de canto, a bola foi aliviada pela defesa do Schalke 04, sobrou para Herrera que, de seguida, perdeu o esférico. Os alemães lançaram uma rápida transição ofensiva, apanhando em contrapé a equipa portista.

    McKennie, lançado em profundidade, desmarcou Embolo na área e, perante Casillas, rematou para a baliza. Corona e Otávio em cima da linha não conseguiram reagir ao remate do jogador da equipa alemã.


    Se o resultado era injusto até aqui, depois do golo germânico percebia-se que o FC Porto estava a ser demasiado castigado perante a sua ineficácia. Mas ainda havia muito jogo para se disputar. Os alemães, letais no contra-ataque, perante a equipa do FC Porto bastante subida no seu estilo de jogo, teriam agora ainda mais espaços para explorar.Mas aos jogadores de Sérgio Conceição não restava senão partir em busca do golo.

    Alguma justiça chegou dez minutos volvidos. Marega, em disputa na grande área, ganhou a bola e foi tocado no tornozelo por um defesa contrário. Segunda grande penalidade prontamente assinalada pelo árbitro do jogo. Otávio chamou a si a responsabilidade de bater o lance. O médio brasileiro, muito bem, empatou o jogo colocando alguma justiça no marcador.

    Oito minutos depois, o FC Porto teve novo lance de perigo na área da equipa de Gelsenkirchen. Canto batido por Alex Telles, bola rechaçada para a entrada da área e Otávio rematou para defesa aparatosa do Guarda-redes alemão. A equipa do Schalke 04 tinha a sorte pelo seu lado e tentou nos minutos finais apostar no jogo aéreo, mas sem resultados práticos.


    Um empate muito pequenino na estreia da edição 2018-19 da UEFA Champions League é a sensação que fica entre todos os portistas. Apesar de tudo poderá ser um ponto importante para as contas finais da fase de grupos.

    Destaques finais para o regresso de “Danilão”, essencial no meio campo azul-e-branco, e para a exibição segura e personalizada de Militão no centro da defesa portista.

    O FC Porto vai preparar desde já o jogo com o V. Setúbal, no Bonfim, aprazado para a noite do próximo Sábado. A Champions League vai regressar nos inícios de Outubro com a recepção do FC Porto aos turcos do Galatasaray.




    DECLARAÇÕES

    Sérgio Conceição: "Não foi um jogo brilhante, mas consistente"

    Aquele penálti...
    “Antes de mais, temos consciência da prova em que estamos inseridos. Isto é a Liga dos Campeões e todos os jogos são difíceis, muito competitivos e frente a equipas com características diferentes daquelas a que estamos habituados em Portugal. Entrámos bem no jogo, tivemos uma grande oportunidade para marcar e, a partir dos 25 minutos, o Schalke apostou num jogo mais direto, mas estávamos precavidos. O Schalke marcou num lance em que há um ou outro erro individual. Não baixámos os braços e creio que fomos sempre superiores, mesmo não fazendo um jogo brilhante. Tivemos mais posse de bola, mais remates e ainda falhámos um penálti. Não foi um jogo brilhante, mas consistente. Foi pena não termos concretizado o penálti, pois acredito que até o jogo teria sido diferente.”

    Danilo e o crescimento da equipa
    “Preparamos os jogos sempre para ganhar. Não perder é positivo, mas ganhar era melhor. Procuramos sempre marcar posição quando entramos em campo, pois somos o FC Porto. Agora vamos pensar no Vitória de Setúbal, pois é o próximo adversário que temos. Somos uma equipa competitiva e é de louvar o regresso de um jogador importante para nós, o Danilo. Há coisas positivas e outras não tão boas, mas faz parte do crescimento da equipa. A haver um vencedor, na minha opinião, seria o FC Porto.”


    O futuro próximo
    “Tivemos o Éder Militão, que chegou há pouco tempo e que fez um belíssimo jogo na estreia na Liga dos Campeões, e o Danilo, que voltou agora após uma paragem de cinco meses e que fez um jogo fantástico. Há jogadores que ainda não estão na forma que quero e que sei que podem atingir, mas tudo vem com o trabalho. O futuro só depende de nós e daquilo que fazemos em campo. Estou muito otimista com o futuro próximo do FC Porto e tenho a certeza que voltaremos a ter o andamento da época passada. A forma como os jogadores interiorizam o trabalho é incrivél, e depois têm uma entrega ao jogo fantástica.”

    Ambição na Liga dos Campeões
    “Somos livres para sonharmos o que quisermos e isso é importante. Trabalhamos para ganhar, mas temos consciência de que a Liga dos Campeões é uma competição difícil e que está reservada para um grupo de equipas que sabemos quais são. Os que têm maior potencial financeiro devem sonhar ainda mais do que nós. Temos uma vontade enorme de ganhar todos os jogos, mas quero é ver a equipa a crescer. No mínimo, queremos passar a fase de grupos.”



    RESUMO DO JOGO